segunda-feira, 12 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

VOLTAR.


Foto : Luís Sérgio


Não voltes a um sítio onde já foste feliz, dizem. Os professores estão condenados a voltar a um sítio onde foram felizes, pois é, foram! Outros infelizmente nem isso, são desterrados, enviados para lado nenhum, sem sequer sair de casa. Triste fado o desta profissão, ao que isto chegou, só se está bem onde não se está. Mas será que estamos condenados a ser felizes num outro tempo, noutra escola, noutro país, noutra vida. Será útil, tem sentido vivermos na saudade, no passado e embarcarmos na barca infernal sem termos cometido pecado algum. Temos ou não direito à vida, a uma vida melhor? Como escreveu o J.L. Peixoto: Vida, se nos estás a ouvir sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela, tu, vida, cresces também (…) Diz-lhe que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz”. Pois é, está difícil, mas a única coisa de que devemos ter saudades é do Futuro, do Futuro Hoje, aqui e agora. Está nas nossas mãos ser felizes, escolher a felicidade, o direito à vida. Está nas nossas mãos olhar o futuro, perseguir o azul está ao nosso alcance e, quando nos quiserem mostrar o contrário, resistir, resistir sempre. Nada nos obriga ao inferno, o segredo está na escolha, na opção que fizermos. Numa das minhas incursões literárias de férias reli As Cidades Invisíveis de Italo Calvino. Se calhar, como este ano as viagens ficaram aquém do esperado, refugiei-me na ficção, e não é que com Calvino relembrei como olhar o mundo, e, deste modo, reaprendi que é possível contrariar o que afirmei no início do post, ou seja, é possível voltarmos à escola e continuarmos felizes. Até parece mentira! Meus amigos, colegas, leitores, se tiveram paciência, e, por alma vá-se lá saber de quem me conseguiram acompanhar até aqui, não desistam agora, e vejam como termina este magnífico livro de Calvino que tomo a ousadia de vos aconselhar: E já o Grão kan folheava no seu atlas os mapas das cidades que nos ameaçam nos pesadelos e nas maldições: Enoc, Babilónia, Yahoo, Butua, Brave Nem World. (…) E Polo : - O inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui, o inferno que habitamos todos os dias, que nós formamos ao estarmos juntos. Há dois modos para não o sofrermos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de já não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.”

Bom ano lectivo a todos,
Grande abraço de solidariedade.

Vejam Bem …




domingo, 31 de julho de 2011

Carpe Diem !

Foto :   L . Sérgio




Férias!
Caros leitores, caríssimos amigos e visitantes, é tempo de descanso, de coisas novas ou revisitar “velhos lugares”, enfim, aproveitemos esta pausa, reencontremos o doce e calmo tempo de SER sem tempo.
Volto em Setembro. Até lá: Um grande abraço e ÓPTIMAS FÉRIAS!
 

sábado, 30 de julho de 2011

Cavalos de Corrida


Avaliação de Desempenho.
A estocada final

Cá estaremos para ver como fica a dita avaliação docente, que como sabemos não pretende avaliar coisa nenhuma, tão só controlar e domar os professores. Se servisse para melhorar ou ajudar não estaríamos “congelados” nem sujeitos a quotas absurdas. Em Setembro teremos novidades, se calhar não tantas como parece. Para já, não sei bem porquê, cada vez que oiço falar ou leio sobre a ADD lembro-me de uma velha canção dos UHF “ cavalos de corrida”. Será analogia com a letra e com o que se passa nas escolas com os professores? Talvez! E correm para quê, vale a pena correr para o pódio, quando este já está ocupado por pilecas que caminharam fora de pista?

Deixem-se de manobras, para quê tanto alarido, mas há alguém neste país que perceba mais de avaliação do que os professores?! Estou farto, farto, fartíssimo, de tudólogos de merda “que todos os dias falam na televisão e jornais daquilo que não sabem.

sábado, 23 de julho de 2011

CAUSA !

Foto: Luís Sérgio

Causa
A causa das coisas
nunca é a verdadeira
causa das coisas.
A causa é
sempre maior
que as coisas.

A causa leva-nos,
traz-nos, conforta-nos,
alimenta-nos no que somos,
no que queremos.
A causa valor acrescido
que nos conforta a pausa.
Causa é
pausa.
Sossego numa vida
tristonha, enfadonha,
escura e triste.
Arco-íris num dia de Inverno.
Primavera antecipada,
vermelho no Verão.
Causa é Sonho.
Causa é origem, princípio sem fim.
Causa é tudo o que não és.
Causa é tudo o que não sou.

Causa é princípio de ti.
Sonho de mim,
encontro para além de tudo.
Sonho sem fim.
Causa é razão
Pensamento,
Liberdade.
Aventura, paz em ti.
Causa é uma não explicação
percebida em mim.

Causa fim,
princípio.
Razão de pausa
de vidas distendidas,
contidas,
de que não sei,
não entendo ou compreendo
hipocrisias escondidas.
Causa é tudo o que somos
e outros temem.

Causa é
a pausa de tudo
porque existes,
por isso, vive.
Segue, luta e progride!
E, não interessa se estás
ou se te põem em causa.

Luís Sérgio, Janeiro de 2011
(escrito no telemóvel).

CRISE



Ajudem os pobrezinhos.

Em tempo de crise é preciso ajudar os pobrezinhos, coitadinhos…e se forem velhinhos ainda mais… Temos que fazer sacrifícios para sair da lixeira. Há por aí uns mal intencionados que dizem que a crise é só para alguns, todos temos responsabilidades, então não temos?! Por isso, é bom divulgarmos os exemplos de abnegação e sacrifício em prol da pátria, a bem da nação. Sem mais comentário aqui fica:
A senhora presidente da Assembleia da República atribuiu a Mota Amaral na sua “qualidade” de ex-presidente do Parlamento, um gabinete, uma secretária e um BMW 320 com motorista.

domingo, 17 de julho de 2011

Vida.


Vida e tempos que correm…

Das melhores coisas que li ultimamente.

Aqui fica, um texto do escritor José Luís Peixoto, lido na Praça Sintagma (Grécia), escrito para o Mayday Lisboa 2011.

Em minha opinião devia ser leitura obrigatória nas escolas portuguesas. Se calhar não passaria nas “Comissões de censura”, por falar, por apelar, a algo que a Escola cada vez nega mais aos que a frequentam e nela sobrevivem, vida e direito à vida. Vá lá… logo que recomece o ano lectivo, experimentem, leiam e discutam este documento com os vossos alunos.

Ousem ler, ousem lutar, ousem viver, tenham a coragem de SER. Abandonem de vez o medo que vos mata.

Impossível é ficar calado

“Se te quiserem convencer que é impossível, diz-lhes que impossível é ficares calado, impossível é não teres voz. Temos direito a viver. Acreditamos nessa certeza com todas as forças do nosso corpo e, mais ainda, com todas as forças da nossa vontade. Viver é um verbo enorme, longo. Acreditamos em todo o seu tamanho, não prescindimos de um único passo do seu/nosso caminho.

Sabemos bem que é inútil resmungar contra o ecrã do telejornal. O vidro não responde. Por isso, temos outros planos. Temos voz, tantas vozes; temos rosto, tantos rostos.
As ruas hão-de receber-nos, serão pequenas para nós. Sabemos formar marés, correntes. Sabemos também que nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.

Além disso,
é magnífico estragar a festa aos poderosos. É divertido, saudável, faz bem à pele. Quando eles pensam que já nos distribuíram um lugar, que já está tudo decidido, que nos compraram com falinhas mansas e autocolantes, mostramos-lhes que sabemos gritar. Envergonhamo-los como as crianças de cinco anos envergonham os pais na fila do supermercado. Com a diferença grande de não sermos crianças de cinco anos e com a diferença imensa de eles não serem nossos pais porque os nossos pais, há quase quatro décadas atrás, tiveram de livrar-se dos pais deles. Ou, pelo menos, tentaram.

O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.

Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.”

José Luís Peixoto. (Quem é? – Clica Aqui!)

Coldplay Viva la vida