terça-feira, 20 de setembro de 2011

Brincar com o fogo.


Foto : L. Sérgio


Brincar com o fogo.

 Deixa estar, jacaré, que a lagoa há de secar.  

Parece-me que alguém anda a brincar com o fogo e ainda não percebeu. Nos últimos tempos, sempre que dá entrevistas, o Senhor Ministro da Educação fala em concursos locais de colocação de professores, percebe-se claramente que se prepara para atacar o concurso nacional de professores. Num afã descentralizador(será desresponsabilizador?) que, na prática, configura uma concepção de escola como uma fábrica onde os operários são explorados até ao tutano, entende-se que escolher os trabalhadores (professores) é missão do patrão, do capataz, que subjugando-se ao jugo autárquico escolherá não os melhores, os mais bem preparados, mas os subservientes, os da cor, os afilhados do padrinho com mais poder e mais influência no meio. Propor a contratação de professores a nível local, seja pelas câmaras, ou pelas escolas, num país onde em muitas autarquias a corrupção e o compadrio são dominantes significa o fim do professor, é descer a um nível muito abaixo do que se viveu nos piores tempos do salazarismo. Outro aspecto ligado ao da colocação de professores é o da autonomia das escolas, se se entender por autonomia, dar mais poderes aos directores, mais não é, em grande parte dos casos, do que reforçar as “ Ilhas de tirania” em que se transformaram as escolas, como escreveu há algum tempo o professor Santana Castilho.  Reforçar os capatazes para eles subjugarem os operários, impondo-lhes ritmos de trabalho absolutamente insuportáveis para depois medir resultados, poderá iludir e aparentemente parecer medida acertada, mas o tempo, como sempre, mostrará que esta via não será aceite nem pelos professores, nem pela sociedade em geral. Oprimir a maioria retirando-lhe vida e, sobretudo qualidade de vida, em favor duma minoria tirânica, doentia e sem valores, aguenta-se por algum tempo, até pode durar, os tiranos e os ditadores normalmente demoram a cair, só que transportar a canga faz ferida, e esta dói, e o que dói revolta, e a revolta faz os homens e as mulheres crescer, liberta-os e traz-lhes liberdade. Pensar que a Escola e os professores estão domesticados é só aparência, porque a toupeira anda aí. Na verdade, nós não somos a Grécia, mas estamos a ficar gregos, cada vez mais gregos e, de tantos nos vermos gregos, isto explode. Por isso mesmo, se calhar, não é boa política brincar com o fogo…
Ainda sobre a autonomia das escolas e a contratação de professores, o colega Octávio Gonçalves, no seu blogue escreve o seguinte: “
“…convém ter presente que depois das amizades, dos tráficos de influências e das fidelidades ou dependências políticas vêm as contrapartidas de várias naturezas, incluindo as relativas a favores sexuais e outros.
Num país de compadrio, de cunhas, de apadrinhamentos elitistas e de tráfico de favores, a autonomia das escolas, como alguns a parecem querer gizar, será um desastre absoluto (defender que a subjectividade e a parcialidade de um director se deve sobrepor, em termos de contratação de docentes, à certificação universitária e à graduação profissional é uma imbecilidade própria de bandalhos que, porventura, subiram na vida, eles próprios, à custa dos arranjinhos) …”
Octávio V. Gonçalves (No blogue com o mesmo nome)


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

VOLTAR.


Foto : Luís Sérgio


Não voltes a um sítio onde já foste feliz, dizem. Os professores estão condenados a voltar a um sítio onde foram felizes, pois é, foram! Outros infelizmente nem isso, são desterrados, enviados para lado nenhum, sem sequer sair de casa. Triste fado o desta profissão, ao que isto chegou, só se está bem onde não se está. Mas será que estamos condenados a ser felizes num outro tempo, noutra escola, noutro país, noutra vida. Será útil, tem sentido vivermos na saudade, no passado e embarcarmos na barca infernal sem termos cometido pecado algum. Temos ou não direito à vida, a uma vida melhor? Como escreveu o J.L. Peixoto: Vida, se nos estás a ouvir sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela, tu, vida, cresces também (…) Diz-lhe que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz”. Pois é, está difícil, mas a única coisa de que devemos ter saudades é do Futuro, do Futuro Hoje, aqui e agora. Está nas nossas mãos ser felizes, escolher a felicidade, o direito à vida. Está nas nossas mãos olhar o futuro, perseguir o azul está ao nosso alcance e, quando nos quiserem mostrar o contrário, resistir, resistir sempre. Nada nos obriga ao inferno, o segredo está na escolha, na opção que fizermos. Numa das minhas incursões literárias de férias reli As Cidades Invisíveis de Italo Calvino. Se calhar, como este ano as viagens ficaram aquém do esperado, refugiei-me na ficção, e não é que com Calvino relembrei como olhar o mundo, e, deste modo, reaprendi que é possível contrariar o que afirmei no início do post, ou seja, é possível voltarmos à escola e continuarmos felizes. Até parece mentira! Meus amigos, colegas, leitores, se tiveram paciência, e, por alma vá-se lá saber de quem me conseguiram acompanhar até aqui, não desistam agora, e vejam como termina este magnífico livro de Calvino que tomo a ousadia de vos aconselhar: E já o Grão kan folheava no seu atlas os mapas das cidades que nos ameaçam nos pesadelos e nas maldições: Enoc, Babilónia, Yahoo, Butua, Brave Nem World. (…) E Polo : - O inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui, o inferno que habitamos todos os dias, que nós formamos ao estarmos juntos. Há dois modos para não o sofrermos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de já não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.”

Bom ano lectivo a todos,
Grande abraço de solidariedade.

Vejam Bem …




domingo, 31 de julho de 2011

Carpe Diem !

Foto :   L . Sérgio




Férias!
Caros leitores, caríssimos amigos e visitantes, é tempo de descanso, de coisas novas ou revisitar “velhos lugares”, enfim, aproveitemos esta pausa, reencontremos o doce e calmo tempo de SER sem tempo.
Volto em Setembro. Até lá: Um grande abraço e ÓPTIMAS FÉRIAS!
 

sábado, 30 de julho de 2011

Cavalos de Corrida


Avaliação de Desempenho.
A estocada final

Cá estaremos para ver como fica a dita avaliação docente, que como sabemos não pretende avaliar coisa nenhuma, tão só controlar e domar os professores. Se servisse para melhorar ou ajudar não estaríamos “congelados” nem sujeitos a quotas absurdas. Em Setembro teremos novidades, se calhar não tantas como parece. Para já, não sei bem porquê, cada vez que oiço falar ou leio sobre a ADD lembro-me de uma velha canção dos UHF “ cavalos de corrida”. Será analogia com a letra e com o que se passa nas escolas com os professores? Talvez! E correm para quê, vale a pena correr para o pódio, quando este já está ocupado por pilecas que caminharam fora de pista?

Deixem-se de manobras, para quê tanto alarido, mas há alguém neste país que perceba mais de avaliação do que os professores?! Estou farto, farto, fartíssimo, de tudólogos de merda “que todos os dias falam na televisão e jornais daquilo que não sabem.

sábado, 23 de julho de 2011

CAUSA !

Foto: Luís Sérgio

Causa
A causa das coisas
nunca é a verdadeira
causa das coisas.
A causa é
sempre maior
que as coisas.

A causa leva-nos,
traz-nos, conforta-nos,
alimenta-nos no que somos,
no que queremos.
A causa valor acrescido
que nos conforta a pausa.
Causa é
pausa.
Sossego numa vida
tristonha, enfadonha,
escura e triste.
Arco-íris num dia de Inverno.
Primavera antecipada,
vermelho no Verão.
Causa é Sonho.
Causa é origem, princípio sem fim.
Causa é tudo o que não és.
Causa é tudo o que não sou.

Causa é princípio de ti.
Sonho de mim,
encontro para além de tudo.
Sonho sem fim.
Causa é razão
Pensamento,
Liberdade.
Aventura, paz em ti.
Causa é uma não explicação
percebida em mim.

Causa fim,
princípio.
Razão de pausa
de vidas distendidas,
contidas,
de que não sei,
não entendo ou compreendo
hipocrisias escondidas.
Causa é tudo o que somos
e outros temem.

Causa é
a pausa de tudo
porque existes,
por isso, vive.
Segue, luta e progride!
E, não interessa se estás
ou se te põem em causa.

Luís Sérgio, Janeiro de 2011
(escrito no telemóvel).

CRISE



Ajudem os pobrezinhos.

Em tempo de crise é preciso ajudar os pobrezinhos, coitadinhos…e se forem velhinhos ainda mais… Temos que fazer sacrifícios para sair da lixeira. Há por aí uns mal intencionados que dizem que a crise é só para alguns, todos temos responsabilidades, então não temos?! Por isso, é bom divulgarmos os exemplos de abnegação e sacrifício em prol da pátria, a bem da nação. Sem mais comentário aqui fica:
A senhora presidente da Assembleia da República atribuiu a Mota Amaral na sua “qualidade” de ex-presidente do Parlamento, um gabinete, uma secretária e um BMW 320 com motorista.