sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A Democracia Sai à Rua .

Foto : Luís Sérgio

Temos voz, tantas vozes; temos rosto, tantos rostos. As ruas hão-de receber-nos, serão pequenas para nós. Sabemos formar marés, correntes. Sabemos também que nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganho milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.
José Luís Peixoto


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Comemorar o Medo


Comemorar o Medo
Com os agradecimentos à M.J. e ao Luís do Paço.
Mia Couto na conferência de Segurança do Estoril :
“ ...há quem tenha medo que o medo acabe. “




sábado, 8 de outubro de 2011

Petição Pública



Manifesto contra as contratações de escola
Contra o compadrio; as cunhas; o tráfico de influências; as contrapartidas políticas, os favores sexuais e outras indignidades.
Pela valorização da certificação universitária e da graduação profissional. Pela transparência.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Guerra Dos Mascates


O prazer de ler.
…o novo romance de Miguel Real, A Guerra dos Mascates, que – no ciclo brasileiro – se situa imediatamente antes de A Voz da Terra (galardoado com o prémio Fernando Namora e finalista do prémio da APE) e não lhe fica nada atrás. Mais romântico do que de costume, a obra recupera algumas personagens já conhecidas dos leitores fiéis deste autor (Julinho Fernandes e Violante Dias) e pretende continuar um romance homónimo de José de Alencar do século XIX, no qual se descreve uma guerra entre as cidades de Olinda e Recife no início de Setecentos, mais concretamente entre os ricos detentores dos engenhos de açúcar (os mazombos) e os comerciantes pobres a quem esses obrigam a pagar avultados impostos (muito actual, parece-me). Mas, entre os intervenientes deste confronto, para além da invenção delirante de um Lula Aparecido da Silva, há personagens absolutamente deliciosas – do mais cândido ao mais maligno – e amor e ódio em partes iguais. Vamos lá ver se é desta que arrecadamos o prémio que ficou para trás.
Texto de Maria Do Rosário Pedreira, publicado no blogue : Horas Extraordinárias .

domingo, 2 de outubro de 2011

Direito à vida.

Foto : Luís Sérgio

Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.”
José Luís Peixoto
Contra o desemprego!
Contra o roubo nos salários e no subsídio de natal!
Contra a dívida e os serventuários da troika!
Pelo direito à vida!



domingo, 25 de setembro de 2011

Então e os directores. Pá!

Foto : Inês Mendes

Ao cuidado de:
 Sr. Ministro da educação, Professor Doutor Nuno Crato;
Partidos políticos;
Sindicatos;
Directores escolares;
Professores e restantes funcionários das escolas e agrupamentos escolares;
Cidadãos em geral.

Então e os directores. Pá!

Segundo o DN os directores escolares andam preocupados porque não têm quem os avalie. Até avançam algumas soluções para resolver a questão, inclusive o adiamento, visto que ninguém progride. Estranho é que não se tenham lembrado dessa ideia quando se tratou de avaliar os colegas. Nenhumas das propostas avançadas pelos senhores directores me parecem sensatas, pelo menos das que foram divulgadas. A maior parte, como sabemos, trabalhou servilmente recorrendo a todos os folclores possíveis e imaginários para mostrar serviço às DREs, e, agora, vê a sua subserviência ir por água abaixo sem a respectiva compensação. Temos pena, muita pena! Por isso, queremos ajudar. Em primeiro lugar, não queremos que tão excelsos servidores do estado fiquem sem avaliação, eles que tanto a adoram (realmente este mundo é cruel, como podem estas almas passar sem avaliação …). Segundo - pretendemos aproveitar para ver quem tem “costela democrática e exige ser avaliado por aqueles que supostamente dirige. Vá lá, não tenham medo da arraia-miúda… Terceiro – aproveitar esta janela de oportunidade (que bonito não é?) e dar largas à reivindicação da autonomia tão desejada por alguns. Mas como?
- Propor de imediato que os partidos legislem no sentido de os senhores directores serem avaliados por todos os professores e funcionários dos agrupamentos  de forma anónima. Confesso que não encontro melhor forma de avaliar um dirigente, seja ele qual for: ser avaliado pelos que dirige, pelos que “sentem na pele a qualidade ou não das suas decisões, pelos que “sentem na pele” a justiça ou não da sua actuação. Cumpria-se assim um dos desígnios da autonomia e, por outro lado, aferia-se do estado de satisfação com o tipo de gestão que impera nas escolas.
Terão os sindicatos coragem para aproveitar a oportunidade?
Serão os senhores “chefes” homens suficientes para aceitar a avaliação feita por quem realmente sabe o que eles valem?
Será que o ministério quer mesmo a autonomia?
Ao terceiro dia, Deus disse: “ avaliai-vos uns aos outros “. Será que vamos perder esta oportunidade e por em causa a fé democrática?


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Brincar com o fogo.


Foto : L. Sérgio


Brincar com o fogo.

 Deixa estar, jacaré, que a lagoa há de secar.  

Parece-me que alguém anda a brincar com o fogo e ainda não percebeu. Nos últimos tempos, sempre que dá entrevistas, o Senhor Ministro da Educação fala em concursos locais de colocação de professores, percebe-se claramente que se prepara para atacar o concurso nacional de professores. Num afã descentralizador(será desresponsabilizador?) que, na prática, configura uma concepção de escola como uma fábrica onde os operários são explorados até ao tutano, entende-se que escolher os trabalhadores (professores) é missão do patrão, do capataz, que subjugando-se ao jugo autárquico escolherá não os melhores, os mais bem preparados, mas os subservientes, os da cor, os afilhados do padrinho com mais poder e mais influência no meio. Propor a contratação de professores a nível local, seja pelas câmaras, ou pelas escolas, num país onde em muitas autarquias a corrupção e o compadrio são dominantes significa o fim do professor, é descer a um nível muito abaixo do que se viveu nos piores tempos do salazarismo. Outro aspecto ligado ao da colocação de professores é o da autonomia das escolas, se se entender por autonomia, dar mais poderes aos directores, mais não é, em grande parte dos casos, do que reforçar as “ Ilhas de tirania” em que se transformaram as escolas, como escreveu há algum tempo o professor Santana Castilho.  Reforçar os capatazes para eles subjugarem os operários, impondo-lhes ritmos de trabalho absolutamente insuportáveis para depois medir resultados, poderá iludir e aparentemente parecer medida acertada, mas o tempo, como sempre, mostrará que esta via não será aceite nem pelos professores, nem pela sociedade em geral. Oprimir a maioria retirando-lhe vida e, sobretudo qualidade de vida, em favor duma minoria tirânica, doentia e sem valores, aguenta-se por algum tempo, até pode durar, os tiranos e os ditadores normalmente demoram a cair, só que transportar a canga faz ferida, e esta dói, e o que dói revolta, e a revolta faz os homens e as mulheres crescer, liberta-os e traz-lhes liberdade. Pensar que a Escola e os professores estão domesticados é só aparência, porque a toupeira anda aí. Na verdade, nós não somos a Grécia, mas estamos a ficar gregos, cada vez mais gregos e, de tantos nos vermos gregos, isto explode. Por isso mesmo, se calhar, não é boa política brincar com o fogo…
Ainda sobre a autonomia das escolas e a contratação de professores, o colega Octávio Gonçalves, no seu blogue escreve o seguinte: “
“…convém ter presente que depois das amizades, dos tráficos de influências e das fidelidades ou dependências políticas vêm as contrapartidas de várias naturezas, incluindo as relativas a favores sexuais e outros.
Num país de compadrio, de cunhas, de apadrinhamentos elitistas e de tráfico de favores, a autonomia das escolas, como alguns a parecem querer gizar, será um desastre absoluto (defender que a subjectividade e a parcialidade de um director se deve sobrepor, em termos de contratação de docentes, à certificação universitária e à graduação profissional é uma imbecilidade própria de bandalhos que, porventura, subiram na vida, eles próprios, à custa dos arranjinhos) …”
Octávio V. Gonçalves (No blogue com o mesmo nome)