domingo, 3 de março de 2013

Lembra-se Sr. Nuno Crato ?

Foto: L. Sérgio

Estivemos lá!
Da 5 de Outubro até ao Terreiro do Paço, estivemos lá para dizer que os professores não aguentam mais, que não assistiremos impávidos e serenos à destruição da escola pública e da profissão docente. Crato, Passos e Portas devem sair e já! Precisamos urgentemente de um governo democrático que, no que diz respeito à educação revogue toda a legislação publicada pelos despautérios de Lurdes Rodrigues e Crato. Agitaremos as marés que forem necessárias, saltaremos as ondas precisas para pôr cobro ao desastre, resistiremos, lutaremos, porque os PROFESSORES:
“ Os bons professores sabem o que se deve fazer e tentam fazê-lo. Se muitas vezes não o fazem mais e melhor, essa limitação não se lhes deve. Deve-se sim às imposições avulsas do Ministério, aos currículos desconexos, aos maus manuais escolares, a um ambiente desrespeitador pela cultura e pela educação.”
Lembra-se Sr. Nuno, Sr. Nuno Crato! Lembra-se do que escreveu nas conclusões do livro: O “EDUQUÊS” Em Discurso Directo Uma crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista, publicado pela Gradiva? Foi lá que li e reli, na página 121, a citação que deixei atrás, pois, para que estas coisas não esqueçam, relembro aqui e agora, ao Sr. Ministro Crato, o que escreveu o professor Crato. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Chuva



 “… gosto do jeito com que a chuva, a neve, e o 'tempo ruim' acordam um fictício sentimento romântico dentro de mim." Fotografia e frase  de  Christophe Jacrot

Metáforas e Premonições em dia de chuva

 Chove como nunca. Uma chuva miudinha de beleza imensa: transparente, firme, persistente. Benditas lágrimas que do céu alimentam a terra. Engrossa, aumenta e bate cada vez mais forte. Molha certa, apesar do guarda-chuva e das mãos firmes que o sustentam. Não desistimos. Vento forte. Rajadas velozes. Um trovão, “a coisa”, alguns tremem, outros abrigam-se num oportunismo desabrido, qualquer telhado serve, outros ainda tentam escapar entre os pingos da chuva. Rezam com medo, têm medo, muito medo, jazem prostrados e tristes, muito tristes, subjugados. São restos, coisa pouca, coisas: Farrapos  que o vento rasgou.
Caminhamos, molhados, mas não fatigados, aconchegados no sonho e na esperança. Chove, não faz mal. Ah! E a imensa trovoada, o medonho e escuro céu. Água, muita água, frio, muito frio, vento forte, trovões. E nós que não desistimos. Um dia, a tarde não terá céu de chumbo, não choverá, de novo veremos um céu azul, brilhante, claro e sonhador.
Agamémnon juntará as forças da razão e a democracia triunfará apesar de Aquiles e outras desavenças, mais ou menos oportunistas. Agamémnon e Ulisses unidos e apoiados pelas Moiras cumprirão aisa. “ A coisa”, a tal nuvem horrenda, rabuda, malévola e doentia que ensombrou o horizonte perecerá definitivamente, esquecida, sem brilho e sem remorsos, tal a pobreza com que apareceu.


Zeus, pai dos deuses olímpicos, definitivamente esclarecido, finalmente consciente, presenteado e abençoado pela razão deixá-la-á afundar-se nas águas bravas do Letes, sem perdão e sem remissão. Chafurdará como dejeto imundo na podridão que semeou.
Água, muita água que alimenta o rio da razão. Estamos molhados, é possível. Continuamos o caminho. De repente, as Irínias completam a sua missão, uma brecha, céu azul, sol, muito sol, sol azul e sonhador. Valeu a pena a caminhada, o esforço, a luta, a resistência. De cara hirta e lavada olhamos o sol que nos aquece e conforta. Uma brisa suave e tranquila devolve-nos o ânimo, a justiça, a verdade, a autenticidade.
Zeus protege-nos, sabe da razão. “ A coisa”, a nuvem maldita, desapareceu de vez. Saudemos o sol, apuremos a razão. Na verdade, tudo vale a pena quando a alma não é pequena, mesmo em dias de chuva, mesmo em dias de submissão…

Agamémnon: Guerreiro que depois do rapto de Helena junta as forças gregas para marchar sobre Troia.
Aquiles: Herói da Ilíada. Ulisses: Herói do poema épico grego ODISSEIA.
Moiras: da mitologia grega, eram as três irmãs que determinavam o destino, quer dos deuses quer dos humanos. Aisa: Destino.
Irínias: Personificações da vingança que puniam os mortais.
Zeus: Mitologia grega, pai dos deuses olímpicos. Deus dos céus e do trovão.
Letes: Da mitologia clássica, situava-se no Hades (Inferno), rio do esquecimento para onde eram atirados os pecadores.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A ler com atenção.


Na sequência do que escrevi, no anterior post:” Quebrar o cerco”, depois da manifestação de sábado, e no actual contexto, temos de ser capazes de quebrar medos e arriscar formas de luta duras, por isso, concordo com o que escreveu o professor Santana Castilho, no jornal PÚBLICO:
  “… Os professores voltaram a sair à rua. Cerca de 40 mil, dizem. Divididos, é notório. Mas, sobretudo, sem resultados para a luta que travam desde os tempos de Maria de Lurdes Rodrigues. As evidências são lapidares: viram os salários diminuídos e o tempo de trabalho aumentado; conhecem o maior crescimento de desemprego de todas as classes profissionais (os números oficiais mostram que quadruplicou nos últimos anos; a variação homóloga no início do presente ano lectivo apontava para um aumento da ordem dos 70 por cento); continuam mergulhados em tarefas aberrantemente burocráticas e improdutivas; têm, como nunca, a dignidade profissional e a independência intelectual calcadas por políticas de terror social, a que se prestou um ministro que os traiu. E respondem com manifestações que se perdem na habituação que nada muda e lutos folclóricos de que se riem os que os escravizam. Permito-me recordar-lhes o que nestas colunas escrevi, não há muito: os professores sabem, têm a obrigação de saber, que todo o poder só se constrói sobre o consentimento dos que obedecem.
(…)
Foi com investimento na Educação que os suíços, os dinamarqueses, os suecos, os noruegueses ou os finlandeses, têm hoje o que alguns dizem que nunca poderemos ter.
Os sublinhados são da minha responsabilidade.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Quebrar o cerco.



Quebrar o cerco.

Convocada pela FENPRFOF realizou-se ontem uma manifestação dos professores. Foi uma boa manifestação, participaram “mais de 40 mil “, segundo a organização. Não se tratou de mais uma manifestação, não foi mais uma, mas sim uma jornada de luta na qual os professores portugueses manifestaram o seu repúdio pela forma como estão a ser tratados por este governo traidor. Ouviram-se palavras de ordem como: “Crato para a rua!”; “governo para a rua!”, “FMI fora daqui!”; “Troica vai-te embora”; “Os professores fazem falta”; “privatização não”; “ Queremos uma Escola Pública e Democrática”; etc., etc.
Apesar de convocada por uma só federação sindical, a adesão dos professores foi elevada, faltaram alguns, mas virão na próxima, tal a revolta que grassa nas escolas e tais os ataques à profissão e à escola pública. Este rio que desaguou no Rossio, não é um fim, mas sim o princípio de um grande mar que com as suas águas agitará toda a docência e a sociedade portuguesa, levando de enxurrada os Coelhos os Portas e o serventuário InCrato. Por isso, é fundamental pensarmos no dia seguinte para que esta vitória, estas águas purificadoras da manifestação não se percam. Repararam que, desta vez, até S. Pedro se rendeu à justa luta dos professores dando-lhes tréguas, sou ateu, senão até diria que os deuses estão connosco, mas, se não estão os deuses, a razão está e é nosso dever defendê-la. E qual a nossa razão, ou razões (aponto somente, três das que me parecem fundamentais e devem unir e estruturar as nossas lutas):
-Defesa da Escola Pública e Democrática contra os vorazes apetites privatizadores de meia dúzia de especuladores da alta finança que pretendem ganhar milhões com a destruição do ensino público.
- Defesa da profissão docente restaurando a sua dignidade pessoal e profissional, rejeitando todas as tentativas de transformar os professores em meros indiferenciados mal pagos e incultos. Baixando-lhes até à miséria o salário e a formação. Pergunto: Como é que é possível a classe profissional mais habilitada e qualificada do país ser tratada desta forma e aceitar?! Sempre que nos vierem com comparações de salários e outras temos que nos lembrar do que escrevi atrás. Só o medo, a anestesia intelectual reinantes em alguns grupos da escola permitem que, um governo de incultos e farsantes com tiques nazis se mantenham no poder. Até que ponto alguns são cúmplices, isso veremos um dia.
-Demissão do governo. Hoje mais do que nunca, está aos olhos de quem quer ver: a questão é política, por isso, ou damos cabo desta política ou ela destrói-nos.
Mas, como vencer esta política terrorista?
- Sem dúvida que, só formas de luta duras, a discutir e organizar, tais como: Greve aos Exames, às avaliações, ocupação das escolas, trabalhando só 35 h, etc. Tudo deve ser discutido e ponderado. Mas com tempo, e sem medo, sobretudo, sem medo. Enquanto as cabeças de alguns, especialmente de alguns com responsabilidades sindicais, estiverem atulhadas de medos e receios não conseguiremos quebrar o cerco.


Fausto. Guerra é a Guerra.




sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Em defesa da educação


Recebi com pedido de divulgação, não só divulgo com todo o gosto, como recomendo uma leitura atenta.

Em Defesa da Educação e da Escola Pública
Terá lugar no próximo dia 26 de Janeiro, em Lisboa, uma manifestação nacional de professores, convocada pela organização sindical FENPROF. É dever de todos os professores apoiar e participar nessa manifestação, fazendo dela uma expressão da sua revolta contra o governo e contra a tróica, e das suas reivindicações em defesa da dignidade da profissão docente e de uma escola pública democrática e de qualidade.
Não há nenhum grupo profissional em Portugal e talvez no mundo que, no curto período de seis anos, de 2007 até hoje, tenha visto tão agravadas as suas condições de vida e de trabalho como aconteceu com os professores portugueses.
Neste espaço de tempo, os professores perderam, em média, quase 40% do seu poder de compra, se tivermos em conta a ausência de qualquer actualização dos ordenados face à inflação, os roubos nestes mesmos ordenados sob a forma de aumento dos impostos e taxas ditas extraordinárias, e o congelamento nas carreiras. Na última meia dúzia de anos, o horário dos professores foi aumentado, em média, em cerca de 30%, sob a forma de aumentos directos na carga lectiva, do chamado “trabalho de estabelecimento escolar” e da eliminação das reduções da componente lectiva antes dos cinquenta anos. Nos últimos seis anos ainda, sem que tivesse havido qualquer melhoria nas condições logísticas e tecnológicas em que exercem a sua actividade, bem pelo contrário, verificou-se uma redução, em média, de cerca de 20% do número de professores nas escolas para um nível de produção educativa (número de alunos que concluem os seus anos e graus escolares) que não sofreu qualquer decréscimo.
Suportando toda esta violência, existe um sector dos professores portugueses que tem sido ainda mais massacrado, que é o dos professores contratados. Trabalhando dez, quinze, vinte e mais anos de forma permanente, com a casa às costas, este ano aqui, para o ano noutro lugar, por não terem uma escola a cujo quadro pertençam, sem quaisquer direitos decorrentes de uma integração na carreira, que lhes é negada, despedidos sem direito a remuneração ou segurança social quando termina o ano lectivo, para serem, se tiverem sorte, contratados no início ou durante o ano lectivo seguinte, os professores contratados configuram uma situação de autêntica escravatura que não tem paralelo em nenhum país minimamente civilizado.
Por cima de tudo isto, o governo PSD/CDS e o facínora Crato, instruídos pela tróica mas executando com todo o gosto o trabalho sujo que lhes é ordenado, expulsaram praticamente os professores contratados das escolas e pretendem despedir, no final deste ano lectivo, um número de professores do quadro que, se tiverem a mão solta, nunca será inferior a 25 mil. Aos poucos professores que ficarem para executar um trabalho educativo que não diminui, é reservada a “recompensa” de lhes cortar mais cerca de 10% na sua remuneração e de aumentar em cinco horas o horário de trabalho base, aumento de horário este que será ainda mais violento para os professores mais velhos, a quem esta corja miserável quer retirar as reduções da componente lectiva a que, apesar de tudo, ainda têm direito.
A hecatombe que se está a abater sobre os professores, sobre a educação pública e sobre as escolas não tem nada a ver com o argumento das “dificuldades transitórias” decorrentes da dívida pública e do défice orçamental. Este argumento tem apenas uma função de terrorismo político e de tentar apresentar essa hecatombe como algo que não pode ser evitado. Se o argumento da dívida e do défice fosse decisivo, o presente ataque aos professores e à escola pública não tinha começado em 2006, como efectivamente começou, com os precisos contornos e conteúdo que mantém hoje. Se esse argumento não fosse uma mistificação, a percentagem do Produto Interno Bruto e dos gastos do orçamento público que vão para a educação tinha-se mantido, o que significava que a educação tinha sofrido na mesma medida em que sofreram os outros sectores. Mas isso não é verdade. Portugal tem hoje uma percentagem de gastos com a educação já muito inferior a 4% do PIB, a mais baixa de toda a Europa e uma das mais baixas do mundo.
O que está a ser feito nas escolas desde Sócrates e Lurdes Rodrigues e com uma intensidade ainda maior com a equipa Coelho/Portas/Crato, corresponde a uma revolução na direcção do passado. Essa revolução significa a eliminação de todas as aquisições positivas e progressistas da ciência educativa, da pedagogia e da humanização das relações educativas que foram sendo alcançadas ao longo do tempo. As escolas estão a ser transformadas em campos de concentração, nos quais as crianças e os jovens sejam sujeitos a um trabalho de fábrica e os poucos professores que restem funcionem como capatazes desse trabalho. O computador e os currículos online destinam-se a desempenhar, nesta dramática evolução da educação de massas, o papel que a máquina a vapor e as tecnologias associadas desempenharam no período da primeira revolução industrial. O objectivo é entregar a exploração lucrativa da indústria educativa ao grande capital privado e aos grandes grupos económicos internacionais que já estão no terreno com este objectivo.
É para isto que se está a reduzir a metade o número de professores nas escolas e a concentrar os alunos em grandes espaços onde o computador imponha cadências automáticas e implacáveis no trabalho escolar e onde um estatuto disciplinar de caserna procure conter a luta e a revolta dos estudantes. É por isso que se pretende acabar com o Estatuto da Carreira Docente, impor aos professores o estatuto da Função Pública e, depois, fazer absorver este último no Código de Trabalho. É com aquele objectivo que o ordenado do professor está a ser rapidamente reduzido até ao nível do de um trabalhador indiferenciado. E é, finalmente, tendo aquele fim em vista que se sucedem os programas, as decisões e as intenções declaradas do governo e da tróica de preparação da privatização em massa das escolas pública, desde a criação da Parque Escolar e respectivos projectos, até ao aumento do financiamento às escolas e grupos privados da educação, passando pela entrega da gestão total das escolas às câmaras municipais, pela outorga do ensino profissional a entidades privadas e pela instituição de propinas na escolaridade obrigatória.
A luta dos professores tem de ser intensificada e tem de mobilizar a grande maioria dos docentes das escolas. Ela é uma parte importante da luta geral dos trabalhadores e do povo português pela democracia e pela independência nacional. A defesa da escola pública, a construção de uma educação pública democrática e de qualidade e a salvaguarda e recuperação da dignidade da profissão docente, são objectivos que, nas condições presentes, são inseparáveis do combate pelo derrube do governo de traição nacional PSD/CDS, a expulsão da tróica alemã e a construção de um governo democrático patriótico.
Os professores vencerão porque o povo vencerá! Todos à manifestação nacional de professores do próximo dia 26 de Janeiro!

Texto do Luta Popular online


sábado, 19 de janeiro de 2013

Crato para a rua !

Não faltes. Traz um amigo.

“ A importância de perder o medo, em determinados momentos
 e circunstâncias da vida, adquire um valor extraordinário porque
 significa lutar para mudar ou ajoelhar-se perante a sujeição.”

Joaquín Lorente

PARA A RUA EM FORÇA:
Pela dignidade profissional.
Contra o holocausto docente que Crato e capangas preparam.
Em defesa da escola pública.
PELA DEMOCRACIA.
FMI E TRÓICA FORA DE PORTUGAL!
Contra a miséria e o desemprego.
Demissão imediata do governo dos traidores Passos e Portas!
Pela Educação, pela razão, pela vida, por uma vida digna.

Não faltes, a luta é tua. Olha bem à tua volta. Um dia se tudo estiver perdido que dirás de ti? Que dirão de ti?!
- Que lutou dignamente e ganhou ou que se curvou e fugiu que nem um rato.
Lá te espero, caro colega, amigo, companheiro.