Uma das coisas que a
troica nunca conseguirá tirar-nos, apesar de nos retirar dinheiro para livros… enfim,
leiam e, já agora, façam-me o favor de ser felizes, ou pelo menos, lutem por
isso.
Este pequeno livro versa sobre a origem
e as consequências da felicidade ou da falta dela, sobre o que é ser feliz
(seguindo o pensamento de outros filósofos, como Matias Aires) e sobre o que na
sociedade actual é impedimento para a vida plena e feliz. Em diálogo com outro
livro do autor (Nova Teoria do Mal), procura estabelecer uma relação
lógica mas não dependente entre os dois conceitos.
“Uma classe política enriquecida à custa
de benesses e subsídios do Estado, presumindo-se americana, classificando
arrogantemente o povo português de “piegas”, incentivando descaradamente a
população jovem a emigrar, declarou guerra oficial ao bem comum e aos valores
permanentes de Portugal, acentuando de um modo calamitoso desigualdades
sociais, estendendo a mancha de pobreza para além dos dois milhões de
habitantes.”
Retirado do blogue:
Planetamarcia
«Nova Teoria do Mal escandalizou. Fico feliz se Nova
Teoria da Felicidade também escandalizar, embora o tema seja menos polémico.
Escandalizar, para espíritos pobres, significou, em Nova Teoria do Mal, aprovar
ou não aprovar entusiasmadamente. Desejaria que Nova Teoria da Felicidade
escandalizasse de outro modo - que a sua recepção fosse remetida ao mais absoluto
silêncio e que cada leitor, suspendendo os seus preconceitos cristalizados,
meditasse sobre as teses nele apresentadas. Meditasse com o sangue da memória e
a sabedoria da experiência, reflectisse sobre as quatro ou cinco teses nele
defendidas animado do mesmo temor e do mesmo delírio com que as desenvolvi. Ao
fim e ao cabo, trata-se da vida pessoal de cada leitor - saber se é possuidor
de uma vida satisfeita, uma vida realizada ou uma vida feliz. Ou, simplesmente,
uma vida frustrada.»
Um grito de
revolta, de alerta, em forma de texto, assim leio e interpreto a excelente crónica
do professor Santana Castilho, publicada ontem no jornal Público. Aos professores restam duas alternativas:
Lutar para vencer ou ajoelhar e tornarem-se miseráveis e indignos para sempre. ESCOLHAM!
O
país não está só em recessão e depressão. Parece gerido a partir de uma nave de
loucos.
Mal
foi anunciada a greve dos professores, surgiram, cândidos, doisdiscursos:
o dos que a condicionam a não perturbar a tranquilidade do chá das cinco e o
dos que só militam na solução que nunca é proposta. Aos primeiros, é curioso
vê-los invocar o direito de uns, com as botas cardadas calcando os direitos dos
outros. Aos segundos, repito o que em tempos aqui escrevi: os professores
sabem, têm a obrigação de saber, que todo o poder só se constrói sobre o
consentimento dos que obedecem. Quando vos tocarem à porta, não se queixem!Crónica de
Santana Castilho, PÚBLICO,22/05/2013
Greve ao serviço de avaliações
para os dias 11, 12, 13 e 14 de junho.
Manifestação Nacional de
Professores, Educadores e Investigadores para 15 de junho, em Lisboa.
Greve Nacional de
Professores, Educadores e Investigadores Portugueses para 17 de junho.
Foi com satisfação que recebi a informação de que nove
organizações sindicais de professores estiveram reunidas e decidiram ações
comuns, de luta contra a anunciada imposição da mobilidade especial aos professores,
o aumento do horário de trabalho para as quarenta horas e a eliminação das
tabelas salariais. Sem dúvida que este unir de esforços é um passo
positivo. Na verdade, face ao que se está a passar no país, e em particular na
educação, peca por tardio este juntar de forças. De qualquer modo, como diz o
povo: ”Vale mais tarde que nunca”. Saúdo esta unidade, aplaudo este anúncio de
luta. Só espero e sinceramente desejo que seja mesmo disposição para lutar e
não um mero acenar de reivindicações para queimar em negociações de gabinete,
disso estão os professores fartos. Não me quero deter muito sobre o comunicado
distribuído à comunicação social, dele retiro para já a vontade de lutar, mas
há uma crítica que não posso deixar de fazer: as ilusões quanto ao diálogo com
um governo fascista apostado em matar os professores e destruir a escola pública;
outra coisa difícil de entender, como é que se vai para lutas destas e se faz um
comunicado desta natureza sem exigir aquilo que os portugueses gritam há muito:
Derrube do governo?! Desculpem-me o desabafo, mas não sei que dizer de generais
que convocam os seus soldados para a luta sem lhes impor a derrota do inimigo. Os
serviçais troicanos há muito que nos declararam guerra, há muito que lançaram a
sua senha terrorista sobre os professores, as suas vidas e sobre a sua vida na
escola, os nossos generais parece que nos convocam para brincar às guerras. Se
vamos lutar que seja com todas as armas, com todas as forças e com objetivos
bem definidos, e um dos que falta anunciar e devia, a meu ver, estar claramente
enunciado no comunicado dos nossos sindicalistas é, repito: O derrube do governo dos traidores e
fascistas Crato e Passos. Ou será que ainda alimentamos ilusões quanto à
política neonazi destes facínoras?
Em 23 de fevereiro publiquei um post, intitulado “Chuva”, quando o escrevi pensei nos
meus amigos da PAN, muito mais que premonitório, era uma mensagem de esperança,
um grito para não se renderem, palavras seguras (desculpem-me a presunção) de
quem sabia que um dos episódios de recuperação da democracia estaria para
breve. A nuvem negra e seus sequazes empedernidos estavam a prazo, a claridade
aproximava-se a passos largos. O Olimpo tomou ontem importantes e
significativas decisões. Não sei se hoje esteve muito sol e os ventos se
acalmaram? Se calhar era o meu espírito, mas nas caras dos homens e mulheres da
minha escola vi uma luz nova, senti uma suave brisa de felicidade. Fez-se
justiça. Mais virá.
O novo Diretor de um Agrupamento
é uma semente que se lança à terra. De certeza que com a terra e o clima corretos
dará bons frutos. Saibamos merecê-los.
Há poucos minutos, Afra de Massa-Má, chefe de um governo fora
da lei e de traidores à pátria falou aos portugueses. No seu estertor, e na
ilusão provisória de que continuará como até aqui a enganar muitos insistiu na
sua política de ataque aos trabalhadores e ao povo português. Das suas palavras
depreendemos desde já, que vai aproveitar a oportunidade e a desculpa do chumbo
do tribunal constitucional para atacar a escola pública, em especial os
professores, e restantes funcionários das escolas. Estes devem preparar-se sem
demoras, para resistir a mais esta declaração de guerra, perder de vez as
ilusões e com os seus sindicatos organizar formas de luta que defendam a
profissão e a escola pública: evitem o desemprego e o degredar até níveis nunca
vistos as já péssimas condições de trabalho. Para o desgoverno: o desemprego
dos funcionários públicos, entre os quais professores e restantes trabalhadores
das escolas; a destruição da escola pública e do sistema de saúde entre outros
estão na ordem do dia. PPC (Pedro Palrador do Capital) deu ordem aos seus
sanguinários amanuenses que nos abatam. Da nossa parte, da parte da escola, dos
que nela trabalham só há duas coisas a fazer, ou nos calamos para sempre e
aceitamos a desumanização e escravização em curso, ou lutamos com todas as
forças e de todas as formas pelo derrube deste governo.
PS:
Corre uma anedota
sobre o encontro apressado realizado ontem entre Afra e o seu psiquiatra em
Belém:
Afra:
- Dr., ando com um complexo de fora da lei.
-Psi.
- Ó homem descanse, arranja-se um tribunal constitucional.
Afra:
- Não dá doutor. Chumbaram-me e já
nem tenho o Elvas para me safar.
Psi:
- Isto está mal, afinal, o Senhor tem
é um complexo de “ovelha ranhosa”. E para isso tem de arranjar um bode
expiatório. Sugiro-lhe o “Estado social “, para grandes males, grandes remédios.
Ataque, vá-se a ele, a troica gosta disso.
Afra
(mais nervoso e irritado que nunca):
- Educação, saúde, segurança social,
raios me parta, já deveria ter acabado com isto, os meus amigos tinham razão,
vou-me a eles. Vou já falar com o Incrato e com o Acedo.
Consta que Jesus ressuscitou ao terceiro dia, está por
provar. Diz-se que D. Sebastião regressará num dia de nevoeiro, continuamos à espera.
Uma coisa é certa, o criminoso, tal como belzebu volta sempre ao local do
crime. Na verdade, o demo regressou à ribalta, pela mão sempre segura e lacaia
da RTP, a do suposto serviço público. Pois é, Pinto de Sousa está de volta e,
repare-se, ao seu estilo, regressou, precisamente no dia mundial do teatro,
para um actor de primeiríssima linha este foi o dia ideal para a sua promoção.
Pode sua eminência dar as cambalhotas que quiser, assumir as faces e as
diferentes formas de lúcifer que bem entender, mas há uma coisa que não
esqueceremos, quem nos entregou à tróica por via de uma desastrosa governação
ao serviço dos grandes interesses foi São Sócrates. No que à escola pública e à educação diz respeito, e isto é o que nos
interessa lembrar neste escrito, foi nos seus governos e a seu mando que se
iniciaram e deram os piores ataques aos professores à escola e ao ensino. A
destruição da carreira com as tentativas de impor a divisão entre titulares e
não titulares; o conseguido corte nos salários e na progressão imposto através
da colocação da maioria dos professores em novos escalões onde ganham menos e
sem possibilidades de progressão; o regime de gestão escolar fascista, onde o
quero posso e mando (ao estilo socranete) se impôs, cortando a desejável e
necessária participação imprescindível ao funcionamento, ao saber e ao
desenvolvimento da organização escolar; o sistema de avaliação discricionária
para promover os fiéis serventuários; as tentativas de domínio da escola e dos
que nela trabalham através da falácia autonómica. São do seu tempo os anúncios,
na assembleia da república, da autonomia às escolas, isto nas palavras, já que
na prática toda a legislação que publicou visava a submissão das mesmas e,
sobretudo, de todos os que nela trabalham. Lembro apenas alguns dos pecadoscapitais. Muito haveria para dizer e
esmiuçar. Veio com nova pose e com novaroupagem
assumir a versão do coitadinho, vítima de um presidente adverso, esta ou é para
rir ou para enganar os néscios, “sacudir a água do capote”, sempre foi e é a
especialidade do seu partido, já temos muitos anos de engano, para cairmos de
novo na esparrela. Sabemos ao que vem e com que objetivos: o “centrão” precisa
de si, necessita, urgentemente, desesperadamente de fazer crer ao povo que a
alternativa, tal como a moeda tem duas faces, a do PSD ou a do PS, ou as duas
numa só, um governo PS/PSD, se o seu partido não obtiver maioria absoluta. O
capital não dorme, e sabe bem com quem pode contar, senão ao invés do seu tempo
de antena, na televisão pública, discutir-se-ia amplamente e com a presença de
todas as correntespolíticas e de opinião como sair da crise e como
julgar os responsáveis da governação nos últimos anos. Também sei que a
poderosíssima máquina de propaganda do seu partido, com apoio da dita
“comunicação pública” tudo fará para branquear os desmandos da sua governação,
mas nós não esqueceremos e, desta vez, não nos deixaremos enganar, agora, só
vai ao engano quem quiser, na escolas e no país, já todos sentimos as
malfeitorias da vossa impunidade. Já sabemos, como muito bem escreveu, Sérgio Luís de Carvalho, in, O Segredo de Barcarrota, livro que cuja leitura recomendo, no qual
anda um demo à solta:
” O diabo, como sucede com as coisas do outro
mundo, tem sempre vários rostos e alguns até que são familiares a quem o
consegue ver. Podia surgir-lhe como rústico, meretriz, tecelão, perneta, fidalgo,
viúva, alcoviteira, narigudo ou menestrel. Podia aparecer-lhe como camaleão,
gato branco ou burro manco, como vagabundo ou cardeal. O que o demo não perdia
nunca, fosse como fosse que surgisse, era um adocicado odor a ervinhas
fumegantes, um leve linguajar ciciado, uns belos e profundos olhos negros
capazes de enfeitiçar qualquer mortal…” (p.97).
Avisados que estamos, pela literatura, que o diabo pode
assumir múltiplas e variadas formas, não nos espanta, nem nos assusta ou comove
que, na realidade, belzebu possa aparecer nas fauces de um ex-primeiro
ministro, recém-formado, além-fronteiras, nas mais novas e obscuras narrativas
do “Quartier latin”. Por isso, não veremos os vossos programas, dispensaremos
os vossos comentários, porque a vossa suprema prática, sentimo-la diariamente
na pele, na própria, na dos nossos familiares e amigos, na da maioria dos
portugueses. Num acaso e só por um mero acaso, se alguma vez vos vislumbrarmos
na TV, apesar de alguns de nós não professarmos qualquer religião, gritaremos a
uma só voz:
“ Per Christum Dominum nostrum, VADE RETRO, SATANÁS!”
"A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto no Maio de 68. Fora da Lei é o seu décimo primeiro livro depois de, entre outros,
"Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco),
"Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras
Conversas" (World Art Friends), "Queimai o Dinheiro" (Corpos).
Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Letras do Porto, é cronista, diseur e performer. Está "fora da lei" e
exige o mundo, o amor e a liberdade aqui e agora.
Fora da Lei, o décimo primeiro livro de A.
Pedro Ribeiro. Poemas como "Bem-Vindo à Máquina",
"Liberdade", "Homem Livre" ou "O Poema" celebram
a liberdade que poderia ser ao mesmo tempo que denunciam um mundo onde o homem
é violentado na sua essência, onde é privado da juventude e da infância para se
colocar ao serviço de uma máquina que o obriga a trabalhar, a ir atrás do
dinheiro, a procriar, a "subir na vida". Mas Fora da Lei é também o poeta maldito que vai às noites e aos bares, que tem iluminações,
que segue a estrada do excesso, da hybris, da desmesura. É o poeta que sobe ao
palco de "Paredes de Coura" ou de "Anjo em Chamas", que
prova a glória, o fracasso e a ressaca, que desafia e provoca, que recusa a
vida normal das pessoas normais e apela à revolução e à revolta. Forada
Lei é a rejeição de todos os governos, de todos os patrões, de todos os
medos, de todas as castrações. É Dionisos, o xamã e a loucura mas também a
procura do sonho, do imaginário, da magia, das estrelas, do amor, da alma.
"Fora da Lei" é a história do poeta."