terça-feira, 16 de julho de 2013

A Minha Geração


“Um povo entre a espada e a parede
Neste início da segunda década do século, o ambiente em Portugal é opressivamente depressivo. A crise económica colocou milhões no limiar da sobrevivência. Sobrevivendo, sem qualidade de vida ou conforto material. (…) fecham empresas diariamente, são lançados milhares no desemprego.”
Paulo de Morais, DA CORRUPÇÃO À CRISE Que Fazer?
Os UHF voltaram com “A MINHA GERAÇÃO”, música e letra do melhor, a não perder.
Parabéns a António Manuel Ribeiro e seus companheiros, obrigado pela música e letra que nos trouxeram. Precisamos de gente com imaginação e arte capaz de disparar inteligentemente contra a canalha que nos trama a vida. Tal como vós, estou farto, FARTO, de gente obediente, “de borregos que seguem no carreiro como se nada lhes tocasse.”
 Abraço solidário!
“Estou cansado
Cansado da rotina
Desta mentira que é a vida
Servida respeitosamente
Com ferrete
Obediente
Obediente.”
(…)

domingo, 14 de julho de 2013

Carrascos


Atenta inquietude…
“ Muitos dos actores políticos têm exactamente como incumbência encontrar os mecanismos para canalizar verbas para os grupos económicos de que são assalariados ou consultores.”

Paulo Morais, DA CORRUPÇÃO À CRISE Que fazer?

Mais um roubo, mais um atentado aos trabalhadores, aos pensionistas, reformados e desempregados.
O FEFSS – Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social constitui o aforro, a reserva, resultante dos descontos feitos ao longo de anos pelos trabalhadores. Serve para pagar reformas, subsídios de desemprego e outras prestações sociais se o sistema colapsar.
No último dia em que exerceu funções ministeriais o “Mago Gaspar” assinou um despacho que obriga O FEFSS a adquirir 4,5 milhões da dívida portuguesa. Deste modo, tendo em conta os “investimentos” anteriores, o novo Salazar das finanças de falinhas mansas e imperceptíveis obriga o fundo a comprometer-se com 90% da dívida pública portuguesa, correndo o risco de se perder o dinheiro das reformas e pensões. Mas não é isto um roubo, um atentado aos trabalhadores, uma ofensa, uma atitude de carrasco? E chama a outra, a da assembleia, “carrascos” aos trabalhadores que justamente protestam.
A impunidade de quem nos tem governado, ligada a alguma ignorância e má memória de um povo que tem votado em partidos carrascos, na preguiça de procurar alternativas, trouxe-nos a este estado de total achincalhamento dos trabalhadores.
E se um dia em razão de políticas erradas face à dívida o dinheiro do FEFSS for preciso, quem paga as favas? Onde estará o irritante Gaspar? Não será essa a altura certa para o povo acertar contas com os seus carrascos?
As centrais sindicais têm o dever de denunciar mais este roubo ignóbil, isto é terrorismo de estado e o terrorismo de estado deve ser denunciado e combatido com todas forças.
 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Questões centrais.


Se as Portas se fecham irrevogavelmente ou não, se um palhaço sai ou entra, se quem ganhou foi o Porteiro ou o Coelho? Como entraram e saíram da sala de reuniões, se o governo fica mais forte ou mais fraco. Da ausência de credibilidade, afinal quem é melhor para gerir a austeridade: As Portas irrevogavelmente abertas para o tudo e para o nada; o Coelho amanuense e fiel às florestas alemãs; um Inseguro seguramente ávido de poder seguir as pisadas dos antecessores. Se o milhafre de Belém voa, ou se sobrevoa os despojos dos pós-troica é irrelevante. Relevante, central e absolutamente seguro é não podermos confiar e nem nenhuns destes dependentes do dinheiro da política porque há muito juraram fidelidade aos bancos, ao sistema financeiro e seus confrades. Fielmente assessorados pelos inúmeros e ignaros “Corvos” que diariamente poluem as televisões, gastando horas para nos adormecerem, sem uma novidade, sem uma saída para a crise. Por estes dias, as televisões transformaram-se numa espécie de “ Fungagá da Bicharada”, onde de tantos sons de nada, sai poluição sonora. E das questões centrais, as fundamentais, ninguém quer falar, raros são os que as querem discutir: Pagar ou não pagar a dívida dos bancos e dos banqueiros? Será possível pagar a dívida actual? Quem a paga, com que dinheiro? De que nos serve a Europa? O euro faz-nos falta ou é um empecilho? Parafraseando o que se passou na Islândia: Queremos uma democracia ou um sistema financeiro? Se o povo é soberano por que não o ouvem sobre estas e outras matérias?
Não tenho a ilusão vã de pedir a estes senhores que se demitam, apenas e só conclamo todos os cidadãos, todos os democratas e patriotas deste país, a unirem-se e a lutarem por todas as formas e por todos os meios contra este governo de traidores à pátria.

Se outros conseguiram, nós também conseguiremos, e é na sequência disso que vos sugiro a leitura do livro de Marc-Pierre Dylan : O PAÍS QUE NÃO RESGATOU OS SEUS BANCOS - Como a Islândia está a superar a crise sem ficar refém do sistema financeiro.


No momento em que o mundo assiste a uma das mais graves crises económicas e sociais, um país com pouco mais de 310 000 habitantes mostrou às potências europeias como a soberania popular ainda é a verdadeira força da mudança. Saindo às ruas, os seus cidadãos lutaram pelos seus direitos e por se fazerem ouvir, negando-se a aceitar as decisões governamentais. Criaram toda uma forma de enfrentar a vida e a política.
Ólafur Ragnar Grímmsson, atual presidente da Islândia, afirmou: “ As condições de pagamento da dívida são muito injustas, os islandeses vão ter de carregar com uma dívida que são os bancos que têm o dever de assumir”. E depois convocou um referendo em que os islandeses escolheram por esmagadora maioria o “não” ao pagamento da dívida. Grímsson disse ainda: A Islândia é uma democracia, não um sistema financeiro!”
Por tudo isto, o futuro da Islândia é sem dúvida diferente do dos restantes países da Europa. O povo saiu à rua para reclamar a soberania que lhe tinha sido arrebatada por interesses partidários e empresariais.
Este movimento do povo islandês ficou conhecido como A “Revolução Silenciosa”. Graças a ela, agora são os cidadãos que comandam o seu destino e os políticos articulam organicamente os desejos da maioria e não o contrário.”
 

domingo, 23 de junho de 2013

O sofisma discente.

Foto: Luís Costa

O Mata-Professores. Versão 2013.
Cinco pontos de total discórdia com uma mente refém de espíritos erro cráticos.
Radicalmente instalado no sofá do poder, o ministro Nuno Arrobas, vem revelando cada vez mais a sua faceta de Mata-Professores. Sem corar de vergonha e de falinhas mansas vem acusando os professores de, com a sua luta, tornarem os alunos reféns.

Mas, afinal, o que move D. Crato, desde quando está preocupado com os alunos?!
Por onde andou, em que navio navegava o ministro quando o seu ministério aumentou o número de alunos por turma. Por esta altura, o Sr. Arrobas estava preocupadíssimo com os alunos? É que, se os professores tivessem 30 alunos numa sala em vez de 20 ou 22, mais facilmente poderiam colocar em prática pedagogias diferenciadas, e, sobretudo, mais que tudo, a atenção a dar aos alunos cresceria exponencialmente numa multiplicação, só entendível, só compreensível, por um espírito aritmeticamente iluminado. Não me lembro, que tenha vindo a terreiro, encomendar entrevistas, a acusar o seu ministério de estar refém de interesses economicistas em detrimento das condições de trabalho e da atenção aos alunos em sala de aula. Isto sim mostraria a sua independência, a sua preocupação com o mérito e com o sucesso. Mas, se calhar nessa época, chovia, e as mesmas águas que impediram a nossa economia de crescer levaram na enxurrada as ideias do Crato do plano inclinado que, de tanta inclinação desabou nas mais nefastas práticas de um neoliberalismo sem freio e sem vergonha.
Sabe Sr. Nuno Arrobas, eu que conheço melhor as escolas que o ministro Crato. Desafio-o a provar publicamente o contrário, digo-lhe que nas escolas portuguesas não há professores a mais, o que existe claramente é ministério da educação a menos, ensino a menos, condições de trabalho e apoio aos alunos a nível zero, com economia aos serviço do IV Reich a mais. Mas, colocando a hipótese mentirosa, falaciosa e enganadora de que temos docentes a mais, de que modo seria possível requalificá-los e não despedi-los? Já agora, por favor, ensine os verbos aos senhores do seu governo, diga ao Rosalino e ao Casanova, que requalificar é um verbo transitivo que significa tornar a qualificar; qualificar de novo e não como eles pensam e dizem à boca cheia: despedir e terminar o vínculo laboral. Há dias, ouvi do Sr. Rosalino uma pérola que me provocou náusea, quando ele afirmou em entrevista ao “diário económico”, que não há despedimentos na função pública: “quando terminam a mobilidade especial as pessoas não são despedidas, perdem o vínculo, não há despedimento“. Cito de cor, não escrevo mais senão ainda dou algum murro na secretária e o desvio colateral já vai longo. Estava eu a falar de que modo seria possível requalificar os professores. Convém frisar que entendo que os professores não precisam de requalificação, os professores das nossas escolas têm as qualificações mais do que suficientes para exercer a sua função, e são obrigados a frequentar formação toda a vida. Diga-me qual a outra profissão em que existem mais licenciados, mestres e doutorados por km2? Falar em requalificação para a docência é sinal de ignorância, má-fé ou quiçá, provocação.
Apesar de tudo, e para irmos ao que interessa, imaginemos que por um drástico abaixamento do número de alunos sobravam alguns horários de professores. Que poderia e deveria fazer um ministro preocupado com o mérito, com o sucesso dos alunos, e acima de qualquer suspeita põe os alunos reféns das condições de trabalho e está preocupado em lhes garantir todos os recursos humanos e outros? A ser verdade, o senhor seria um homem de sorte.
 Primeiro - Teria aquilo que muitos sonharam e não conseguiram, baixar de uma vez por todas o número de alunos por turma: 20, 22 no máximo.
Segundo - Ficaria com professores disponíveis para o apoio a todos os alunos que efetivamente o necessitassem.
Terceiro Resolveria uma pequena parte da indisciplina que grassa nas nossas escolas.
Quarto Nalguns casos, depois de devidamente avaliada a situação, seria possível colocar dois professores em aula, podendo diversificar as estratégias e reforçar o apoio no momento de ensino/aprendizagem.
Quinto Atribuiria mais horas aos Diretores de Turma, para que sem perda da sua sanidade mental e saúde física consigam resolver todos os problemas e façam um acompanhamento efetivo dos alunos.
Chegados aqui, aplicadas estas poucas e simples medidas, concluiríamos que há escola a mais para tão poucos professores. Faça as contas e verá que tenho razão. Some todas as horas, minutos e segundos que já nos roubou e na sua consciência poderá constatar que pretender alargar o horário dos professores para as 40 horas é não perceber nada de ensino, muito menos de educação.
Reduzir o professor à condição de operário fabril que cumpre ao limite do seu esforço intelectual e físico uma tarefa angustiante é revelar uma concepção de professor, capaz de se enquadrar numa visão proto industrial da exploração capitalista, nunca uma visão de um professor disponível para o conhecimento e para o trabalho numa escola pública de sucesso.
Por último, senhor Nuno Arrobas, liberte-se das amarras de amanuense do IV Reich e explique aos alunos e aos pais por que razão o senhor é incapaz de aplicar as medidas que acima enunciei.
Diga-lhes quem é que está refém das greves, explique-lhes porque não quis “ceder” antes dos professores, em nome da sua dignidade, em nome dos alunos, em nome da docência, em nome da escola pública, em nome do país, em nome da decência, não terem outra alternativa senão lutar.
O senhor e o seu ministério roubaram-lhes o prazer e a vontade de ensinar, roubam-nos a vida e ainda querem que lhes agradeçamos. Mas estava à espera de quê? - De mais um milagre da Sra. de Fátima.


 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Obrigado professores !

 
Foto Lusa. Hugo Delgado



 
Greve geral de professores.
Adesão de 90%
Segundo as organizações sindicais:
“ (…) a realização dos exames só foi possível com o recurso a ilegalidades e arbitrariedades “ e “compete agora à Inspeção Geral de Educação (IGE) agir em conformidade (…)
          Intervenção de vigilantes não docentes
  • Recurso a docentes da disciplina (Português)
  • Redistribuição de alunos por sala
  • Substituição na hora de elementos do secretariado de exames sem ouvir o Pedagógico
  • Realização de exames em refeitórios
  • Substituição de professores, em violação da lei da greve
  • Pais a vigiar.”
Mas, atenção: A luta continua.
                       Tem de continuar!
 

sábado, 15 de junho de 2013

Dia D


17 de Junho um dia decisivo . Um blogue, CIVIDADE docente:

“A greve dos professores ao exame de Português do 12º ano, convocada para o próximo dia 17 de Junho, é talvez a greve mais importante da sua história recente. Em pouco tempo, os professores mobilizaram-se e organizaram-se com uma intensidade e determinação que poucos pensavam que fosse possível. O aumento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais e o despedimento colectivo que se pretende efectuar de professores do quadro e de professores contratados, foi a gota de água que fez transbordar uma taça já cheia de humilhações e prepotências levadas a cabo pelos governos de Sócrates e pelo governo actual de passo Coelho e Paulo Portas.”
LER mais, in:
CIVIDADE docente

Blogue de professores que pugnam por uma educação de qualidade na escola pública.

 
Lê, participa e divulga !

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O que está em causa.


Santana Castilho, declarações à Antena 1 :
o júri nacional de exames não tem nenhum vínculo hierárquico com os directores das escolas nem com os professores, para fazer isso.
Aquilo que foi feito foi uma 'orientação'. É esse o título de um e-mail que chegou às escolas: uma 'orientação'. Ora isto, em meu entender, não obriga as escolas. Isto denota uma grande cobardia por parte de um ministro que, além de mentiroso, de facto, é cobarde. Incumbe um júri nacional de exames de tomar uma medida que vale o que vale.

Os professores em greve não têm que comparecer na escola.

É isso que está aqui em causa. É isso que se joga! É defender uma escola pública para todos os portugueses! Que é um valor constitucional, é um valor civilizacional, é um instrumento da soberania do país! E impedir que se instaure uma escola privada para os ricos e uma escola limitada para os pobres. É esta a questão! É isto que os portugueses têm que perceber e é por isto que os professores estão em luta!
É isso que está aqui em causa, de facto, em minha análise, E ESPERO BEM QUE OS PROFESSORES PORTUGUESES PERCEBAM A RESPONSABILIDADE QUE TÊM NESTA ALTURA. Foi tarde, mas finalmente, parece que alguma coisa está a acontecer neste país!»