domingo, 15 de dezembro de 2013

A PROVA


“Aquilo que eu poderia ter feito por um grupo e não fiz, representa um “ custo de oportunidade”, para aquela pessoa ou grupo específico (ou seja, um ganho ou perda que aquela pessoa ou grupo não obteve ou não sofreu).”
Carlo Cipolla, As leis fundamentais da estupidez humana

A Prova
Na verdade, já quase tudo foi dito sobre a chamada PACC, por isso, não me alongarei sobre esta coisa ignóbil que só uma mente crática teima em defender, a mente mais salazarista dos amanuenses da tróica que, para mal dos nossos pecados encarnou a “disfunção” de ministro da educação de um governo traidor e vende-pátrias. Esta iníqua prova é uma afronta a todos os professores, contratados e não contratados, daí que qualquer verduga(o) sem escrúpulos e sem consciência mínima do que é estar numa profissão com dignidade que se disponibilize para colaborar em tamanha ofensa a toda uma classe deverá ser impedida de frequentar uma sala de professores. Os seus pares devem excomungá-la(o) como se fosse uma cadela tinhosa, ou cão tinhoso, portadora/portador da maior das pestes. Nestas circunstâncias, diz a sabedoria popular, “umas pauladas no cão são remédio santo”.
PS
Não me acusem de apelar à violência, quem se sente violentado, ofendido e maltratado sou eu cada vez que luto, lutamos, e um minoritário bando de acéfala(o)s com o seu egoísmo e cobardia nos traí.
Nota final: No início do texto em PACC, deve ler-se prova de avaliação de conhecimentos e capacidades e não Prova de Avaliação do Cretino do Crato.

domingo, 17 de novembro de 2013

Receita Portuguesa

retirada da net

RECEITA PORTUGUESA

pegue-se num homem quase perfeito
mas com o corpo de setenta anos
o coração pesado os ombros caídos
a  memória esvoaçante

descarne-se bem retirando direitos
pensões privilégios de quem sempre
viveu acima das suas possibilidades
trabalhando de canga e de besta
sem desejos de  viajar nem horas
para poder passar uma noite num hotel

depois de bem descarnado dos excessos
que o poderiam tornar insuportável
recheie-se com precários e desempregados
misturando algumas ervas aromáticas
enviadas por emigrados resplandescentes
que fizeram baixar o índice do desemprego

deixe-se a marinar com vinagre e placebos
para retirar algumas poupanças clandestinas
que poderiam ir parar às mãos dos netos
gananciosos por não terem aprendido a moral
do futuro radioso nas escolas dos jotinhas

para não se dizer que vai ao forno a crestar
por ser politicamente incorreto e a imprensa
divulgar tirando conclusões apressadas
dizemos que vai a gratinar a baixa temperatura
com uma camadinha de demagogia e água benta
para não estorricar revelando tratos de polé
sofridos durante o consulado da grande coligação
serve-se frio bem frio na fria mesa dos vampiros

Firmino Mendes

Lisboa, 07.11.2013

A Cidade do Fim

Fugindo de uma família com a qual nunca se identificou, Fátimo – assim chamado por ter nascido no ano das Aparições – concorre a um lugar de professor no Liceu Infante D. Henrique, em Macau, acabando por permanecer quase toda a vida nessa cidade que, dividida em duas comunidades aparentemente estanques – a branca e a chinesa –, soube cruzar e reunir o melhor dos costumes de ambas, gerando uma atmosfera social deveras singular.
Retirado do blogue Planeta Márcia

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Eles comem tudo...

                                                             Foto : Luís Costa
Estou cansado de viver neste mesmo pequeno país que devoram 
Escudados pelas desculpas mais miseráveis 
Este charco bafiento onde eles pastam 
Gordos que engordam 
Ricos que amealham sem parar 
Idiotas que gritam 
Paneleiros que se agitam de dedo no ar 
Filhos da puta a dar a dar 
Enquanto dá a teta da vaca do Estado 
(…)
Estou farto de abrir a porta de casa e nada estoirar como na televisão 
Não era lá longe, era aqui mesmo 
Barricadas, armas, pedradas, convulsão 
Nada, não há nada 
Os borregos, as ovelhas e os cabrões seguem no carreiro 
Como se nada lhes tocasse -- e não toca 
A não ser quando o cinto aperta 
Mas em vez da guerra 
Fazem contas para manter a fachada: 
Ah carneirada, vossos mandantes conhecem-vos pela coragem e pela devoção na gritaria do futebol a três cores 
Pelas vitórias morais de quem voa baixinho 
E assume discursos inflamados sem tutano.
Extrato de “ Vernáculo”, letra dos UHF, do álbum: A minha Geração

Caríssimos colegas deixo-vos com um vídeo a mostrar nas próximas reuniões de pais. Parece-me mais esclarecedor que qualquer discussão sobre metas e outras tretas.

Para ver, ouvir e divulgar massivamente.

domingo, 20 de outubro de 2013

Genocídio

Morte  aos troicanos!


Há palavras e vozes que nos sossegam, que nos deixam tranquilos, nos fazem pensar e agitam, são exemplares na análise e na coragem de dizer a verdade, sem meias tintas, falam-nos com tudo e de tudo a que temos direito.
Aqui ficam algumas das melhores coisas que li , ouvi e vi nos últimos dias.

Garcia Pereira, na ETV


domingo, 13 de outubro de 2013

Arripiante


“Uma folha cai ao céu.”
O escritor Knud Romer fala sobre a morte de seu pai.

Para ver e ouvir com atenção até ao fim. Vale a pena, muito a pena.
Se isto não vos “tocar”, é porque já morrestes. E, é pena…


domingo, 22 de setembro de 2013

BEM HAJAM !

“ O melhor espelho não reflecte o outro lado das coisas.”

Provérbio Japonês


António Lopes; Carlos Filipe; Ana Martins, Anabela; Armando; Armindo Carvalho; Américo Penedos; Américo Pereira; Carlos Filipe; Carlos Pereira; Carla Seixas; Carlos Silva; Eduarda; Emília Quaresma; Fernando; Fernando Manuel; Fernando Martins; Gilberto; Helena Filipe; Helena Farinha; Ismael, Júlia; Joaquim Ferreira; João Dias; José Luís Costa; José Santos; José Vaz; Luís Figueira; Luís Martins; Luís Machado; Luísa Galveia ;Manuel Rocha; Maria Guerra; Pedro Dias; Pedro Guerreiro; Rui Manuel; Rui Cardiga; Sílvio Lopes; Teresa Jacinto; Telma Neves…

Voltámos à escola, regressámos menos a uma escola menor, de aparência maior, com mais alunos por turma, com mais confusão e desorientação. Fala-se em autonomia, mas nunca, como agora, a escola pública foi tão controlada. O ministério não confia em ninguém, não acredita nos diretores, assoberba-os com diretivas de última e má hora que só prejudicam a boa gestão, odeia os professores, os funcionários não são precisos. A escola pública está a saque e, tal como o país, sequestrada, e cada vez mais nas mãos dos grandes interesses financeiros. Há menos professores, repito, mais turmas, com mais alunos, mais alunos sem turma, turmas sem professores, muitos, mas, muitos professores no desemprego. Aparentemente, muito aparentemente, tudo parece funcionar sobre rodas. Nero, vulgo INcrato, cada vez que fala, diz menos, mais pausadamente, mentindo mais e iludindo outro tanto. A voz pseudo-pausada com que nos vai brindando traz-me à memória, má memória, quiçá pesadelo, a outra alimária que um dia foi ministro e a que chamavam “Gasparzinho”. Vá-se lá saber porquê, para mim, Nero e Gaspar não passam de duas almas gémeas que encarnaram o lado mau de um dos piores e mais terríficos filmes de terror.
As salas de professores das nossas escolas são um misto de ilusão e cemitério. Esperança, ilusão, desânimo e incerteza misturam-se numa raiva surda onde o cheira a traça e incenso predominam. Um qualquer romance sobre a escola e os professores, escrito a partir da escola e das salas de professores, só poderá ter um de dois títulos: “ A vã ilusão de ensinar e o cemitério”, ou o “professor e o cemitério”.  Vivemos hoje, um dos capítulos derradeiros do fim da vida do professor. Mas isso, caros amigos, fica para outro dia, quero falar-vos, escrever, sobre outra coisa, que me dói, que me entristeceu e, por estes dias, me angustiou. A dor da ausência. Os muitos colegas, muitos dos bons profissionais, muitos dos bons amigos de que, agora, só recordo a cara e a voz. Os que o “sistema” lançou “borda-fora” quando podiam e deviam, dar mais, muito mais à escola, em saber e forma de estar. Falo claro está nos “aposentados”, nos que já não aguentavam mais e, podendo, deixaram o “ inferno escolar”. Que futuro tem uma profissão de onde são afastados os mais experientes, os que foram acumulando experiência e, em condições normais, seriam o garante da transmissão de uma cultura de saber estar e fazer, necessária à profissão. Bem sei que para o INcrato Arrobas, professor é sinónimo de Robot programado para corrigir exames e corrigir mais exames, ainda mais exames numa equação infinita de exames que um dia destes não servirão para nada, quando, tarde, se descobrir que os males do ensino não se resolvem com exames. De facto, só uma mente crática, na sua manifesta ignorância do que é uma escola e o “ensino dito secundário” em Portugal, ousaria sonhar tal coisa.
Mas, o que eu quero é “falar” dos que saíram, sem uma palavra, sem uma despedida, sem um reconhecimento, mas tão só com a sensação de que estavam a mais, não podiam mais. Não vos esquecerei, a escola não vos esquecerá. Várias gerações de alunos, não vos esquecerão. De uma forma ou de outra, uns mais outros menos, mas a vossa marca indelével ficou. BEM HAJAM! Grande abraço de solidariedade. 
Nós, todos os outros, na arena, de espada desembainhada, continuaremos fiéis aos mesmos princípios de sempre. Uma coisa vos prometemos: as salas de professores transformar-se-ão, num imenso cemitério, onde a curto prazo festejaremos o funeral político dos Neros troicanos que um dia tiveram a veleidade de nos desafiar.
Abraço solidário!