terça-feira, 10 de junho de 2014
domingo, 8 de junho de 2014
Cinco Anos .
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| Foto : Luís Sérgio |
“A
realidade
Sempre
é mais ou menos
Do
que nós queremos.
Se
nós somos sempre
Iguais
a nós próprios.”
Ricardo Reis
Cinco anos
Pois é, o tempo passa e já lá vão cinco anos, em 31 de Maio de 2009, escrevi pela primeira vez neste blog. Na verdade, parece
que foi ontem e tanta coisa, tanta coisa que se passou. Quase sem dar conta, sobretudo, com muito
prazer, publiquei 234 “posts” (Textos) que obtiveram 692 comentários; irritei
uns quantos safardanas e sacripantas do
piorio, ainda bem, fiquei e fico muito satisfeito com isso. Se só tivesse
aplausos desconfiava, mas, é que desconfiava mesmo… Entre quem tem ideias e
carácter e serventuários do poder sem
carácter e sem princípios é bom que se estabeleça uma linha de demarcação. E
bem forte. Isto de sermos todos “uns fulanos porreiros” , que obedecem
cegamente ao chefe não é para mim, não está no meu ADN. Mas voltando ao que
interessa para hoje, quanto a leituras,
No Coração da Escola é lido com
regularidade em 9 países : Portugal, Estados Unidos, Brasil, Rússia, Alemanha,
Reino Unido, Ucrânia, França, China, Canadá. O volume de leituras ultrapassou
há muito as 100 mil visualizações de páginas. Os textos mais lidos foram O mata-
professores ; Por uma gestão
escolar democrática e Serviçal lacaio.
Quanto ao futuro, como é a única coisa de que tenho saudades, continuarei
enquanto me der prazer passar por aqui
(blog) a lançar uma letras para o ciberespaço.
Não cantarei até que a voz me doa, mas teclarei até que o
desejo se apague.
Bem haja! A todos os que
me seguem , aos que me lêem. Um abraço especial aos que via e-mail vão
comentando o que escrevo.
Pode recordar:
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domingo, 18 de maio de 2014
Os Filhos da Troika - Outra vez.
"Quando a última árvore cair, quando o último rio secar, quando o
último peixe for pescado, vocês vão entender que dinheiro não se come."
Greenpeace
Como
não há regra sem excepção, o euro come-se, ou seja através do euro os alemães
comem-nos, sem dó nem piedade, e a “Hitleriana” de saias fica a rir-se.
Luís Sérgio
Dias de mentira e
mistificação, numa nação subjugada aos mais abjetos filhos da troica.
No dia em que
os traidores à pátria festejam a mentirosa saída da troika. Neste momento
histórico de farsa e nova etapa de domínio do imperialismo alemão, sabemos que
a fingida partida, significa tão só que, o essencial de domínio e destruição da
economia do país e de direitos dos trabalhadores está feito. Para o resto os
mandantes do grande capital financeiro não precisam de estar por cá, o euro, os
fiéis serviçais, a tríade Passos, Portas e Cavaco, com a ajuda prestimosa do
Inseguro PS desempenham bem o papel e sentem-se cada vez mais confortáveis no
seu papel de ludibrio dos portugueses. Mas, escrevia eu… que, no dia da traição
consumada e festejada, vos quero lembrar um pequeno conto que aqui escrevi em
28 de Outubro de 2011: “Os filhos da Troika”. Parece-me que faz algum sentido,
tanto mais que continuamos a assistir ao silêncio dos inocentes , veja-se e oiça-se a campanha eleitoral em curso , consumação
da farsa democrática e, por último, porque nos têm roubado muito, mas, por mais
que nos roubem , resistiremos, porque não conseguirão tirar-nos os sonhos, nem
sonegar-nos o direito ao “azul entre os
azuis”, porque as ideias mesmo aprisionadas, mesmo silenciadas, sobrevivem , e
um dia, quando menos se espera, alguém, alguns, pegarão
nelas e transformá-las-ão em armas vitoriosas. Nessa altura não haverá hienas,
não haverá milhafres de Belém, nem portas com passos seguros que resistam à
enxurrada do vulcão. Não é velha toupeira ?
Os
Filhos da Troika
Brincando
com as palavras. Mini Conto em jeito poético.
1. Os passos de um camaleão lusitano ao
serviço do grande capital financeiro mundial.
O senhor dos passos
chegou
muito lentamente
muito disfarçadamente
muitos enganou.
Colocou-se em bicos de pés.
Muito em bicos de pés
quase em suspensão.
Não caiu,
muito falou.
Tudo mentiu
tudo aldrabou
e os crentes
os incrivelmente anjos,
muito mais que anjinhos
encantou.
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domingo, 4 de maio de 2014
Abandonado.
| Foto Inês Mendes |
Abandonado.
De manhã,
bem cedo, desperto com um toque entre o suave e o abanão forte:
-
Abandonaste-me. Já nem me ligas. Há quanto tempo não me visitas. Andas a fugir
de mim, mas o que é que se passa contigo?
Espantado,
surpreendido, sem perceber o que se estava a passar, julguei estar a meio de um
sonho.
- Abandonei-te!
Mas que raio de conversa, o que é que se passa?
- Que se
passa digo eu?! Já não teclas para mim. Cinco anos a visitar-me e, de repente,
uma longa e inexplicável ausência. Será que não tens nada para me dizer, para
dizeres, é assim que vês uma relação. Acaso terei sido mais um devaneio passageiro e temporário, pensas que isto pode acabar assim.
- Mas que
coisa, afinal, quem és tu, o que queres de mim. Relação, mas qual relação, não
estou a perceber nada. Vens chatear-me no escuro, na penumbra dos sonhos, como
queres que te reconheça? Não sei que te diga…
- Já não
tens nada para dizer, é isso que me queres impingir, nessa não acredito, conheço-te
há muito e sei que a tua cabeça fervilha com mil ideias, com milhares de coisas
para falar e partilhar. Trabalhas muito, não tens tempo, não me vais abandonar,
as desculpas do costume. Ingrato. E os teus amigos, os teus leitores, agora que
tinhas um número alargado e razoável de visitas regulares, desapareces. Como é
possível. Têm-me perguntado por ti, há dias, o Filipe enviou um e-mail, em que dizia:”Se
te tinhas rendido, se tu também te calavas”. Sabes uma coisa, para além do
mais, tenho muitas saudades do teu teclar, dos teus dedos poisando em mim, dos
arrepios na página, dos gritos de revolta, do apelo à consciência, da denúncia,
do prazer da tua escrita, enfim, sentir-me acompanhado, sentir que confiavas em
mim e desabafas contra a corrente, contra os pseudo bem pensantes. Ainda não
sabes quem sou? Se depois disto não me reconheces, nem sei que te diga, será
melhor acabar tudo entre nós, definitivamente, não suporto mais esta ausência,
esta ingratidão.
- É fácil
falar, dizeres que sentes a minha falta, que te abandonei, que temos uma
relação. Se tu és quem eu suspeito, sabes bem que escrevo apenas por prazer,
quando dá jeito, sem compromissos nem obrigações. Mas fica sabendo que não te
abandonei, nem tenciono abandonar tão depressa, mas o tempo e os dias não
esticam, com muita pena minha, diga-se de passagem.
- O tempo! Não
me venhas com essa do tempo. Tens minutos para tanta coisa. Os amigos, o amor,
a amizade, a luta, não têm tempo, nem horas. Desculpas vãs. Andas a trabalhar
muito, a ler muito e, depois, não sobra nada. Sobra a minha solidão e abandono,
o meu desconsolo.
- Estás a ir
longe de mais, “porra”, não me chateeis, isto está difícil, procuras-me pela
manhã, mal acordo, e que queres que te diga, que queres que faça, que te mande
dar uma volta, que me deixes em paz, é isso que queres?
- Não te
irrites,não fiques assim (Numa voz muito doce e suave), só quero que me digas que voltas, que vais voltar, que voltaremos ao
convívio regular, é tudo isto e só isso que quero, o carinho e afago da tua
escrita. E não te zangues, faz-me um favor, senta-te aqui, bem aconchegadinho,
bem junto de mim, jura-me que continuaremos a teclar juntos. Jura!
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domingo, 23 de março de 2014
Nova Teoria do Sebastianismo
Já percebi,
se calhar é por causa dos “novos sebastianismos” que algumas salas de
professores estão transformadas em cemitérios, onde os mortos vivos olham de
soslaio uns para os outros à espera que o parceiro do lado, tal qual D.
Sebastião, se decida a lutar por eles e a resolver-lhes os problemas. Por isso
se agridem com mesquinhices, invejas e complexos de inferioridade de “doutorzecos
da mula ruça”. Não lhes chega o ministério a fazer de Diabo, eles tornam-se em
camafeus maiores, quando por um qualquer erro da astrofísica se acham com poder
e indignidade para cuspirem nos colegas. Estão pior que nunca e nada acontece.
Dai-lhes
senhor o eterno descanso de uma caverna de Platão, de sombras e nevoeiro, não
os deixeis ascender à luz, a razão cega-os e transforma-os em bestas de carroça
vazia. Ofertai-lhes senhor uma manhã de nevoeiro e, calmamente, muito serenamente,
elevai-os à condição Sabática para que, para todo o sempre desapareçam sem
rasto e omissão. Dai- lhes condição de escravos que, por ela e por amor dela ,tornar-se-ão indignos.
Viva El-Rei
D. Sebastião!
Depois deste
desvario (será que é?), acreditando ou não em sebastianismos, leiam mais este excelente
livro de Miguel Real. Mas leiam mesmo, não vá o diabo tecê-las e aparecer por
aí, um dia destes, uma qualquer alma penada, perguntar-nos, se já lemos. Por
mim, já estou como o outro,” não acredito em bruxas”, mas, há dias, sentado numa
sala de professores quase vi um D. Sebastião. Não sei se era do sono, se do
nevoeiro, mas que fiquei com a sensação de ter visto uma alma do outro mundo…
nem vos digo o susto, só não me benzi, porque não sei, não sou homem de muitas
crenças, mas balbuciei muito baixinho, para mais ninguém ouvir: “Vade retro
satanás.” O Miguel Real que me desculpe a prosa, na verdade o convívio com “os
novos sebastianismos” deixou-me em transe …
Por isso,
mais uma vez, recomendo: leiam! Porque depois de: Nova Teoria do Mal; Nova teoria da Felicidade (livro
maravilhoso, para mim marcante), nunca se sabe se a salvação estará numa Nova Teoria do Sebastianismo.
“Um dos mais paradigmáticos mitos portugueses analisado por
um grande pensador. Nova Teoria do Sebastianismo é um ensaio que reflecte sobre
o mito sebastianista como alucinação racionalmente falsa mas sentimentalmente
verdadeira e nos dá a conhecer os autores que trataram o tema, desde Bandarra e
Padre António Vieira até aos filósofos contemporâneos, passando por Fernando
Pessoa, António Quadros, António Sérgio e Eduardo Lourenço. O presente título
insere-se numa colecção na qual foram já publicados dois outros títulos de
Miguel Real: Nova Teoria do Mal e Nova Teoria da Felicidade enquanto propostas
para uma ética do século XXI. "Ser sebastianista hoje [...] significa, não
a esperança no indefinido regresso de D. Sebastião, nem acreditar neste como o Messias
regenerador da sociedade portuguesa, [...] mas ter plena consciência de que em
Portugal só se atinge um patamar próspero de vida se algo (uma instituição) ou
alguém dotado de elemento carismático nos prestar um auxílio que nos retire,
por meios extraordinários, do embrutecimento e empobrecimento da vida
quotidiana: a subserviência rastejante ao Partido, a cunha do «Senhor Doutor»,
a crença no resultado do totoloto ou do euromilhões, a promessa a Nossa Senhora
de Fátima ou santo congénere... Esse algo ou alguém, quando negado em Portugal,
impele à emigração, forçando o português a buscar no estrangeiro o que, devido
às políticas de autofavorecimento das elites, lhe é negado na sua terra natal.”
Texto retirado do Book.Googles
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domingo, 2 de março de 2014
A Dívida e os Anjinhos Papudos
‘Troika’
só aprova saída do resgate
após cortes salariais permanentes.
Ultimato.
Pressão da "Troika" aumenta brutalmente quando faltam duas avaliações
para o final do programa. Reforma do
Estado é para fazer através dos salários e pensões.
Diário de Notícias, 1 de
Março de 2014
Se dúvidas
existiam sobre a natureza da dívida e sobre o que a troica, seus apaniguados e
amanuenses do governo de traição nacional Passos/Portas entendem sobre a
reforma do estado, esta manchete desfá-las. Como diz um velho amigo meu: “só os
cegos, os mais que cegos, os anjinhos, os masoquistas e as almas penadas “, não
querem ver o terrorismo que se abate diariamente sobre os trabalhadores da
função pública e sobre os serviços ditos do estado.
Apesar de toda a demagogia, a reforma do estado de Portas e Passos
mais não é do que a destruição de todos o serviços públicos, entregando-os na
melhor oportunidade às empresas de amigos ou aos vorazes interesses das
multinacionais. Reduzem-se os serviços, acabam-se mesmo e, assim,
aparentemente, não dão mais despesa, não “obrigam”, dizem eles, a pagar
impostos para os sustentar. Só que o cidadão, melhor dizendo, o “anjinho papudo”
que foi aceitando tudo isto, um dia acorda e verifica que não tem serviços
públicos que lhe valham ou, se existirem, indevidamente privatizados só o
servem se puder pagar e muito. Celestialmente, abençoado, pela sua escravidão,
se não morrer por falta de assistência, vai acabar inculto, sem educação, sem
escolas para os filhos, mas, como verdadeiro anjinho papudo em que se
transformou, apesar de tudo, vislumbrará divinamente a liberdade de escolher a
escola para os filhos que não poderá pagar. Se for empreendedor e lhe restarem
algumas forças, roto e esfarrapado, fará umas piruetas à porta da Sopa dos Pobres
e quem sabe, por esmola europeia lhe darão uma sopa.
Ironias, humor, dirão alguns, mas o caso não é para rir, digo eu.
Senão vejamos, quais as bases da reforma do estado que a troica impõe aos amanuenses
e estes estão dispostos a aplicar:
- Cortes
permanentes nos ordenados dos funcionários públicos.
-Tabela
salarial única.
- Revisão do
sistema de suplementos.
- Revisão
abrangente de todos os sistemas de pensões.
Independentemente das
saídas cautelares ou incautas saídas, “o FMI e os restantes
membros da troika farão uma monitorização cerrada dos desenvolvimentos das políticas públicas em Portugal “,DN.
Isto até 2042, altura em que segundo eles ficará liquidado o empréstimo português.
A Troica quer também baixar salários no privado.
A dívida está mais do que visto, tem uma natureza de classe e está
ao serviço de uma classe para espezinhar outra e dominá-la. A dívida portuguesa
é ilegítima e odiosa.
“ O pagamento da dívida pública
é, simultaneamente, o pretexto para impor a austeridade e um poderoso mecanismo
de transferência dos rendimentos dos debaixo para os de cima (dos 99% em
benefício do 1%): A luta para quebrar este círculo infernal da dívida é vital.
“ Pág.. 125.
Damien
Millet e Eric Toussante in A Crise da
Dívida. Auditar. Anular. Alternativa Política, temas e
debates (Círculo de leitores)
À luz do direito internacional, na esteira de Alexander Nahum Sack
(em 1927 foi um dos primeiros a teorizar
sobre as dívidas odiosas). Há três critérios para definir uma dívida odiosa:
- Ausência de
consentimento: a dívida foi contraída contra a vontade do povo;
- Ausência de
benefício: os fundos foram despendidos de uma forma contrária aos interesses da
população;
- Conhecimento,
por parte dos credores, das intenções do solicitante do empréstimo.
Os portugueses não autorizaram a dívida, estão cada vez mais
pobres, emigram mais, há mais desemprego, há menos qualidade de vida para a
maior parte da população, os dinheiros da dívida vão parar à banca, servem para
pagar juros de uma dívida impagável, o país não tem moeda própria. Se o povo
não é consultado, nas “idas ao mercado”, nem sobre o que lá se compra, nem para
quê. Se a troica, O FMI e o BCE sabem de tudo isto, podemos afirmar (de novo) com
Damien Millet e Eric Toussante :
“ As dívidas contraídas pela Grécia, Irlanda
e Portugal no quadro dos acordos assinados com a União Europeia e o FMI
preenchem os três critérios que permitem classificá-las como “dívidas odiosas
“. No plano jurídico, são nulas e não têm de ser pagas”. Pág.. 153
A Crise da Dívida. Auditar. Anular. Alternativa Política, temas e
debates (Círculo de leitores)
Comprovada a natureza de classe da dívida pública
portuguesa, reconhecidamente, ao serviço de uma austeridade que se abate sobre
os direitos e condições dos trabalhadores portugueses, atacando e ferindo de
morte a nossa soberania enquanto país independente, espanta-me e dói-me a
inépcia de partidos que, reclamando-se de esquerda, colocam em relação a esta
matéria a reivindicação de “reestruturação da dívida”. Apresentando aliás tal
medida como algo progressista e avançado. Discordo totalmente de tal visão, de
estratégia tão limitada e redutora de quem se diz defender o país, os
trabalhadores e o povo em geral, mas, ainda assim, persiste em deixar pagar (mais),
desde que seja por mais tempo, aqueles que nada beneficiaram nem beneficiarão
das idas aos mercados.
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A última noite em Lisboa.
LER!
A Última noite em Lisboa, o mais recente livro de Sérgio Luís de Carvalho foi
apresentado na passada sexta-feira, dia 28, em Lisboa, na FNAC.
“A última noite em Lisboa é uma
trama inquietante passada numa época em que Lisboa era ainda mais
fervorosa e, aliada ao facto de ser baseada em factos e personagens reais. Uma espécie de crónica de costumes, como se fossemos transportados
diretamente para um dia rotineiro desse período da História.”
Joel
Pais
Reportagem
do lançamento com o blogue “EspalhaFACTOS” – CLICAR AQUI!
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