quarta-feira, 23 de julho de 2014

Autocracia e estupidez



Garcia Pereira na ETV :

“ Esta prova é uma palhaçada …
 isto serve para tudo menos avaliar, serve para justificar mais desemprego dos professores.
… O ministro da educação é que deveria ser e teria um mau ou medíocre menos  no mínimo.
… Projecto deste ministro da educação : acabar com o sistema educativo em Portugal.
…Escolas escolhidas a dedo.
Esta prova é uma farsa, é inaceitável, exercício de poder autocrático e estúpido...”

terça-feira, 10 de junho de 2014

Aluno inteligente.

Felizmente há alunos que nos vão surpreendendo pela positiva. Exame de português , 4ºano - 2014.

domingo, 8 de junho de 2014

Cinco Anos .

Foto : L.Sérgio
Foto : Luís Sérgio


“A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Se nós somos sempre
Iguais a nós próprios.”


Ricardo Reis

Cinco anos
Pois é, o tempo passa e já lá vão cinco anos, em 31 de Maio de 2009, escrevi pela primeira vez neste blog. Na verdade, parece que foi ontem e tanta coisa, tanta coisa que se passou.  Quase sem dar conta, sobretudo, com muito prazer, publiquei 234 “posts” (Textos) que obtiveram 692 comentários; irritei uns quantos safardanas  e sacripantas do piorio, ainda bem, fiquei e fico muito satisfeito com isso. Se só tivesse aplausos desconfiava, mas, é que desconfiava mesmo… Entre quem tem ideias e carácter  e serventuários do poder sem carácter e sem princípios é bom que se estabeleça uma linha de demarcação. E bem forte. Isto de sermos todos “uns fulanos porreiros” , que obedecem cegamente ao chefe não é para mim, não está no meu ADN. Mas voltando ao que interessa para hoje,  quanto a leituras, No Coração da Escola é lido com regularidade em 9 países : Portugal, Estados Unidos, Brasil, Rússia, Alemanha, Reino Unido, Ucrânia, França, China, Canadá. O volume de leituras ultrapassou há muito as 100 mil visualizações de páginas. Os textos mais lidos foram O mata- professores ; Por uma gestão escolar democrática e Serviçal lacaio. Quanto ao futuro, como é a única coisa de que tenho saudades, continuarei enquanto me der prazer passar por aqui  (blog) a lançar uma letras para o ciberespaço.
Não cantarei até que a voz me doa, mas teclarei até que o desejo se apague.
Bem haja! A todos os que  me seguem , aos que me lêem. Um abraço especial aos que via e-mail vão comentando o que escrevo.

Pode recordar:



domingo, 18 de maio de 2014

Os Filhos da Troika - Outra vez.




"Quando a última árvore cair, quando o último rio secar, quando o último peixe for pescado, vocês vão entender que dinheiro não se come."     
Greenpeace

 Como não há regra sem excepção, o euro come-se, ou seja através do euro os alemães comem-nos, sem dó nem piedade, e a “Hitleriana” de saias fica a rir-se.

Luís Sérgio

Dias de mentira e mistificação, numa nação subjugada aos mais abjetos filhos da troica.
No dia em que os traidores à pátria festejam a mentirosa saída da troika. Neste momento histórico de farsa e nova etapa de domínio do imperialismo alemão, sabemos que a fingida partida, significa tão só que, o essencial de domínio e destruição da economia do país e de direitos dos trabalhadores está feito. Para o resto os mandantes do grande capital financeiro não precisam de estar por cá, o euro, os fiéis serviçais, a tríade Passos, Portas e Cavaco, com a ajuda prestimosa do Inseguro PS desempenham bem o papel e sentem-se cada vez mais confortáveis no seu papel de ludibrio dos portugueses. Mas, escrevia eu… que, no dia da traição consumada e festejada, vos quero lembrar um pequeno conto que aqui escrevi em 28 de Outubro de 2011: “Os filhos da Troika”. Parece-me que faz algum sentido, tanto mais que continuamos a assistir ao  silêncio dos inocentes , veja-se  e oiça-se a campanha eleitoral em curso , consumação da farsa democrática e, por último, porque nos têm roubado muito, mas, por mais que nos roubem , resistiremos, porque não conseguirão tirar-nos os sonhos, nem sonegar-nos o direito ao  “azul entre os azuis”, porque as ideias mesmo aprisionadas, mesmo silenciadas, sobrevivem , e um dia, quando menos se espera, alguém, alguns, pegarão nelas e transformá-las-ão em armas vitoriosas. Nessa altura não haverá hienas, não haverá milhafres de Belém, nem portas com passos seguros que resistam à enxurrada do vulcão. Não é velha toupeira ?
Os Filhos da Troika
Brincando com as palavras. Mini Conto em jeito poético.
1.      Os passos de um camaleão lusitano ao serviço do grande capital financeiro mundial.
O senhor dos passos
chegou
muito lentamente
muito disfarçadamente
muitos enganou.
Colocou-se em bicos de pés.
Muito em bicos de pés
quase  em suspensão.
Não caiu,
muito falou.
Tudo mentiu
tudo aldrabou
e os crentes
os incrivelmente anjos,
muito mais que anjinhos
encantou.

domingo, 4 de maio de 2014

Abandonado.

Foto Inês Mendes

Abandonado.
De manhã, bem cedo, desperto com um toque entre o suave e o abanão forte:
- Abandonaste-me. Já nem me ligas. Há quanto tempo não me visitas. Andas a fugir de mim, mas o que é que se passa contigo?
Espantado, surpreendido, sem perceber o que se estava a passar, julguei estar a meio de um sonho.
- Abandonei-te! Mas que raio de conversa, o que é que se passa?
- Que se passa digo eu?! Já não teclas para mim. Cinco anos a visitar-me e, de repente, uma longa e inexplicável ausência. Será que não tens nada para me dizer, para dizeres, é assim que vês uma relação. Acaso terei sido mais um devaneio passageiro e temporário, pensas que isto pode acabar assim.
- Mas que coisa, afinal, quem és tu, o que queres de mim. Relação, mas qual relação, não estou a perceber nada. Vens chatear-me no escuro, na penumbra dos sonhos, como queres que te reconheça? Não sei que te diga…
- Já não tens nada para dizer, é isso que me queres impingir, nessa não acredito, conheço-te há muito e sei que a tua cabeça fervilha com mil ideias, com milhares de coisas para falar e partilhar. Trabalhas muito, não tens tempo, não me vais abandonar, as desculpas do costume. Ingrato. E os teus amigos, os teus leitores, agora que tinhas um número alargado e razoável de visitas regulares, desapareces. Como é possível. Têm-me perguntado por ti, há dias, o Filipe enviou um e-mail, em que dizia:”Se te tinhas rendido, se tu também te calavas”. Sabes uma coisa, para além do mais, tenho muitas saudades do teu teclar, dos teus dedos poisando em mim, dos arrepios na página, dos gritos de revolta, do apelo à consciência, da denúncia, do prazer da tua escrita, enfim, sentir-me acompanhado, sentir que confiavas em mim e desabafas contra a corrente, contra os pseudo bem pensantes. Ainda não sabes quem sou? Se depois disto não me reconheces, nem sei que te diga, será melhor acabar tudo entre nós, definitivamente, não suporto mais esta ausência, esta ingratidão.
- É fácil falar, dizeres que sentes a minha falta, que te abandonei, que temos uma relação. Se tu és quem eu suspeito, sabes bem que escrevo apenas por prazer, quando dá jeito, sem compromissos nem obrigações. Mas fica sabendo que não te abandonei, nem tenciono abandonar tão depressa, mas o tempo e os dias não esticam, com muita pena minha, diga-se de passagem.
- O tempo! Não me venhas com essa do tempo. Tens minutos para tanta coisa. Os amigos, o amor, a amizade, a luta, não têm tempo, nem horas. Desculpas vãs. Andas a trabalhar muito, a ler muito e, depois, não sobra nada. Sobra a minha solidão e abandono, o meu desconsolo.
- Estás a ir longe de mais, “porra”, não me chateeis, isto está difícil, procuras-me pela manhã, mal acordo, e que queres que te diga, que queres que faça, que te mande dar uma volta, que me deixes em paz, é isso que queres?
- Não te irrites,não fiques assim (Numa voz muito doce e suave), só quero que me digas que voltas, que vais voltar, que voltaremos ao convívio regular, é tudo isto e só isso que quero, o carinho e afago da tua escrita. E não te zangues, faz-me um favor, senta-te aqui, bem aconchegadinho, bem junto de mim, jura-me que continuaremos a teclar juntos. Jura!


domingo, 23 de março de 2014

Nova Teoria do Sebastianismo

Já percebi, se calhar é por causa dos “novos sebastianismos” que algumas salas de professores estão transformadas em cemitérios, onde os mortos vivos olham de soslaio uns para os outros à espera que o parceiro do lado, tal qual D. Sebastião, se decida a lutar por eles e a resolver-lhes os problemas. Por isso se agridem com mesquinhices, invejas e complexos de inferioridade de “doutorzecos da mula ruça”. Não lhes chega o ministério a fazer de Diabo, eles tornam-se em camafeus maiores, quando por um qualquer erro da astrofísica se acham com poder e indignidade para cuspirem nos colegas. Estão pior que nunca e nada acontece.
Dai-lhes senhor o eterno descanso de uma caverna de Platão, de sombras e nevoeiro, não os deixeis ascender à luz, a razão cega-os e transforma-os em bestas de carroça vazia. Ofertai-lhes senhor uma manhã de nevoeiro e, calmamente, muito serenamente, elevai-os à condição Sabática para que, para todo o sempre desapareçam sem rasto e omissão. Dai- lhes condição de escravos que, por ela e por amor dela ,tornar-se-ão indignos.
Viva El-Rei D. Sebastião!
Depois deste desvario (será que é?), acreditando ou não em sebastianismos, leiam mais este excelente livro de Miguel Real. Mas leiam mesmo, não vá o diabo tecê-las e aparecer por aí, um dia destes, uma qualquer alma penada, perguntar-nos, se já lemos. Por mim, já estou como o outro,” não acredito em bruxas”, mas, há dias, sentado numa sala de professores quase vi um D. Sebastião. Não sei se era do sono, se do nevoeiro, mas que fiquei com a sensação de ter visto uma alma do outro mundo… nem vos digo o susto, só não me benzi, porque não sei, não sou homem de muitas crenças, mas balbuciei muito baixinho, para mais ninguém ouvir: “Vade retro satanás.” O Miguel Real que me desculpe a prosa, na verdade o convívio com “os novos sebastianismos” deixou-me em transe …

Por isso, mais uma vez, recomendo: leiam! Porque depois de: Nova Teoria do Mal; Nova teoria da Felicidade (livro maravilhoso, para mim marcante), nunca se sabe se a salvação estará numa Nova Teoria do Sebastianismo.
 “Um dos mais paradigmáticos mitos portugueses analisado por um grande pensador. Nova Teoria do Sebastianismo é um ensaio que reflecte sobre o mito sebastianista como alucinação racionalmente falsa mas sentimentalmente verdadeira e nos dá a conhecer os autores que trataram o tema, desde Bandarra e Padre António Vieira até aos filósofos contemporâneos, passando por Fernando Pessoa, António Quadros, António Sérgio e Eduardo Lourenço. O presente título insere-se numa colecção na qual foram já publicados dois outros títulos de Miguel Real: Nova Teoria do Mal e Nova Teoria da Felicidade enquanto propostas para uma ética do século XXI. "Ser sebastianista hoje [...] significa, não a esperança no indefinido regresso de D. Sebastião, nem acreditar neste como o Messias regenerador da sociedade portuguesa, [...] mas ter plena consciência de que em Portugal só se atinge um patamar próspero de vida se algo (uma instituição) ou alguém dotado de elemento carismático nos prestar um auxílio que nos retire, por meios extraordinários, do embrutecimento e empobrecimento da vida quotidiana: a subserviência rastejante ao Partido, a cunha do «Senhor Doutor», a crença no resultado do totoloto ou do euromilhões, a promessa a Nossa Senhora de Fátima ou santo congénere... Esse algo ou alguém, quando negado em Portugal, impele à emigração, forçando o português a buscar no estrangeiro o que, devido às políticas de autofavorecimento das elites, lhe é negado na sua terra natal.”
Texto retirado do Book.Googles

domingo, 2 de março de 2014

A Dívida e os Anjinhos Papudos


Troika’ só aprova saída do resgate
após cortes salariais permanentes.
Ultimato. Pressão da "Troika" aumenta brutalmente quando faltam duas avaliações para o final do programa. Reforma do Estado é para fazer através dos salários e pensões.

Diário de Notícias, 1 de Março de 2014

            Se dúvidas existiam sobre a natureza da dívida e sobre o que a troica, seus apaniguados e amanuenses do governo de traição nacional Passos/Portas entendem sobre a reforma do estado, esta manchete desfá-las. Como diz um velho amigo meu: “só os cegos, os mais que cegos, os anjinhos, os masoquistas e as almas penadas “, não querem ver o terrorismo que se abate diariamente sobre os trabalhadores da função pública e sobre os serviços ditos do estado.
Apesar de toda a demagogia, a reforma do estado de Portas e Passos mais não é do que a destruição de todos o serviços públicos, entregando-os na melhor oportunidade às empresas de amigos ou aos vorazes interesses das multinacionais. Reduzem-se os serviços, acabam-se mesmo e, assim, aparentemente, não dão mais despesa, não “obrigam”, dizem eles, a pagar impostos para os sustentar. Só que o cidadão, melhor dizendo, o “anjinho papudo” que foi aceitando tudo isto, um dia acorda e verifica que não tem serviços públicos que lhe valham ou, se existirem, indevidamente privatizados só o servem se puder pagar e muito. Celestialmente, abençoado, pela sua escravidão, se não morrer por falta de assistência, vai acabar inculto, sem educação, sem escolas para os filhos, mas, como verdadeiro anjinho papudo em que se transformou, apesar de tudo, vislumbrará divinamente a liberdade de escolher a escola para os filhos que não poderá pagar. Se for empreendedor e lhe restarem algumas forças, roto e esfarrapado, fará umas piruetas à porta da Sopa dos Pobres e quem sabe, por esmola europeia lhe darão uma sopa.
Ironias, humor, dirão alguns, mas o caso não é para rir, digo eu. Senão vejamos, quais as bases da reforma do estado que a troica impõe aos amanuenses e estes estão dispostos a aplicar:
- Cortes permanentes nos ordenados dos funcionários públicos.
-Tabela salarial única.
- Revisão do sistema de suplementos.
- Revisão abrangente de todos os sistemas de pensões.
 Independentemente das saídas cautelares ou incautas saídas, o FMI e os restantes membros da troika farão uma monitorização cerrada dos desenvolvimentos das políticas públicas em Portugal,DN. Isto até 2042, altura em que segundo eles ficará liquidado o empréstimo português. A Troica quer também baixar salários no privado.
A dívida está mais do que visto, tem uma natureza de classe e está ao serviço de uma classe para espezinhar outra e dominá-la. A dívida portuguesa é ilegítima e odiosa.
“ O pagamento da dívida pública é, simultaneamente, o pretexto para impor a austeridade e um poderoso mecanismo de transferência dos rendimentos dos debaixo para os de cima (dos 99% em benefício do 1%): A luta para quebrar este círculo infernal da dívida é vital. “ Pág.. 125.
Damien Millet e Eric Toussante in A Crise da Dívida. Auditar. Anular. Alternativa Política, temas e debates (Círculo de leitores)
À luz do direito internacional, na esteira de Alexander Nahum Sack  (em 1927 foi um dos primeiros a teorizar sobre as dívidas odiosas). Há três critérios para definir uma dívida odiosa:
- Ausência de consentimento: a dívida foi contraída contra a vontade do povo;
- Ausência de benefício: os fundos foram despendidos de uma forma contrária aos interesses da população;
- Conhecimento, por parte dos credores, das intenções do solicitante do empréstimo.
Os portugueses não autorizaram a dívida, estão cada vez mais pobres, emigram mais, há mais desemprego, há menos qualidade de vida para a maior parte da população, os dinheiros da dívida vão parar à banca, servem para pagar juros de uma dívida impagável, o país não tem moeda própria. Se o povo não é consultado, nas “idas ao mercado”, nem sobre o que lá se compra, nem para quê. Se a troica, O FMI e o BCE sabem de tudo isto, podemos afirmar (de novo) com Damien Millet e Eric Toussante :
“ As dívidas contraídas pela Grécia, Irlanda e Portugal no quadro dos acordos assinados com a União Europeia e o FMI preenchem os três critérios que permitem classificá-las como “dívidas odiosas “. No plano jurídico, são nulas e não têm de ser pagas”. Pág.. 153

A Crise da Dívida. Auditar. Anular. Alternativa Política, temas e debates (Círculo de leitores) 
Comprovada a natureza de classe da dívida pública portuguesa, reconhecidamente, ao serviço de uma austeridade que se abate sobre os direitos e condições dos trabalhadores portugueses, atacando e ferindo de morte a nossa soberania enquanto país independente, espanta-me e dói-me a inépcia de partidos que, reclamando-se de esquerda, colocam em relação a esta matéria a reivindicação de “reestruturação da dívida”. Apresentando aliás tal medida como algo progressista e avançado. Discordo totalmente de tal visão, de estratégia tão limitada e redutora de quem se diz defender o país, os trabalhadores e o povo em geral, mas, ainda assim, persiste em deixar pagar (mais), desde que seja por mais tempo, aqueles que nada beneficiaram nem beneficiarão das idas aos mercados.  

A última noite em Lisboa.

LER!
 A Última noite em Lisboa, o mais recente livro de Sérgio Luís de Carvalho foi apresentado na passada sexta-feira, dia 28, em Lisboa, na FNAC.
“A última noite em Lisboa é uma trama inquietante passada numa época em que  Lisboa era ainda mais fervorosa e, aliada ao facto de ser baseada em factos e personagens reais. Uma espécie de crónica de costumes, como se fossemos transportados diretamente para um dia rotineiro desse período da História.”
Joel Pais

Reportagem do lançamento com o blogue “EspalhaFACTOS” – CLICAR AQUI!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

As mudanças em educação e a profissionalidade docente



Conferência com o professor Santana Castilho

No meio do ruído, do egoísmo, da acefalia e submissão reinantes, esta é uma das poucas personalidades com “voz pública“ que, em matéria de educação, vale a pena escutar, será talvez um dos Homens que mais e melhor, publicamente, têm defendido a Escola Pública e os professores.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Dias Claros



Dias  claros
De rara limpidez e ânsia de viver.
Dias  brilhantes no anseio de
 
Ver.
Claros momentos do tempo
em que somos  caminhantes perdidos
na  busca da  rara limpidez
dos dias azuis e raros.
Momentos esquecidos na contemplação do ser.
Raros,
raros rasgos de razão,
de luz, na noite dos homens sonâmbulos
que vagueiam  e já não são.
Já não têm dias claros e como sombras  perdidas
jazem na servidão.
Dias raros, luminosos, de largo e radioso horizonte
de Homens Livres 
de raro e invejável carácter.
Raros, raros HOMENS  SEM MEDO.
 


Luís Sérgio, 1 de Janeiro de 2014

domingo, 22 de dezembro de 2013

AGIR


AGIR (Apoio à Gestão da Indisciplina e Reintegração).
Enquanto professor foi um dos projetos mais interessantes em que participei e ajudei a criar. Numa escola, a PAN, em que a nível disciplinar se vivia o caos, no espaço escolar reinava o poder do mais forte e a impunidade ditava as regras. As salas de aula eram um pandemónio, o saber ser e estar eram coisas para uma minoria, regras e respeito pelo outro só para as calendas gregas, ou seja, nunca.
Um grupo forte e esclarecido, inspirando-se nos princípios da mediação de conflitos, com muito esforço e dedicação procurou e, em parte, conseguiu alterar o clima de guerra e desordem permanente, sobretudo, nos ditos pátios onde roubo, agressão e extorsão eram prática normal. Ainda não se falava em maus tratos ou, só por essa altura, se acordava para a problemática quando um grupo de professores contra tudo e contra todos ousou lutar conta a corrente das lamentações, da indiferença do conformismo e do deixa andar.
O AGIR mobilizou professores, alunos, funcionários, pais e encarregados de educação. A consigna “ Agir sim, reagir não! “deu frutos e deixou marca. Na verdade, por estes dias o projeto está sem pernas, sem cabeça e de coração fraco. Apesar de tudo e fruto do labor de novas equipas vem-se mantendo. Raros são os projetos desta natureza que se aguentam mais de 2 ou 3 anos, este já ultrapassou uma década, o que só prova a sua validade e vitalidade.
Projetos assentes nos princípios e valores da mediação de conflitos são cada vez mais uma necessidade imperiosa nas nossas escolas. Uma tutela vesga e apostada na destruição da escola pública asfixia-os, ao invés de os apoiar e valorizar. Um ministro insultuoso e Incrato vai destruindo o que de bom havia nas escolas. A indisciplina aumenta dia a dia e os projetos que lhe podiam fazer frente vão morrendo. Um dia destes, quando alguns acordarem, descobrir-se-á que os exames de que Nero tanto gosta são a prova de que a escola pública está a morrer. De qualquer modo, aqui e agora, não quero lembrar almas infernais, mas, bem pelo contrário, prestar homenagem a todos os que nos últimos dez anos deram o seu melhor pelo projeto, combatendo a indisciplina, fomentando a integração e deste modo, apesar de tudo, tentaram uma escola melhor. Aqui fica o meu reconhecimento pelo trabalho de mais de uma década.
Bem-haja!
Há um episódio que quero destacar e relembrar, pela importância, pelo que significou e porque está fresco na memória, apesar de ontem, dia 21 de dezembro, terem passado dez anos sobre a sua realização, refiro-me ao primeiro jantar de Natal do grupo AGIR, na Fábrica da Pólvora em Oeiras. Momento de confraternização e união que entre outras coisas ficou marcado pela veia poética do nosso grande colega e amigo, José Luís Costa. Recordo o momento em que sempre animado e positivo nas leu as quadras em que se referia aos membros da equipa.
E começou assim, “O Mestre”:
“O AGIR surgiu de uma necessidade imperiosa,
De lutar contra o roubo, agressão e extorsão.
Escolhendo-se mágicos para uma onda laboriosa,
Sabendo que teríamos uma melhoria na ação.”
 

domingo, 15 de dezembro de 2013

A PROVA


“Aquilo que eu poderia ter feito por um grupo e não fiz, representa um “ custo de oportunidade”, para aquela pessoa ou grupo específico (ou seja, um ganho ou perda que aquela pessoa ou grupo não obteve ou não sofreu).”
Carlo Cipolla, As leis fundamentais da estupidez humana

A Prova
Na verdade, já quase tudo foi dito sobre a chamada PACC, por isso, não me alongarei sobre esta coisa ignóbil que só uma mente crática teima em defender, a mente mais salazarista dos amanuenses da tróica que, para mal dos nossos pecados encarnou a “disfunção” de ministro da educação de um governo traidor e vende-pátrias. Esta iníqua prova é uma afronta a todos os professores, contratados e não contratados, daí que qualquer verduga(o) sem escrúpulos e sem consciência mínima do que é estar numa profissão com dignidade que se disponibilize para colaborar em tamanha ofensa a toda uma classe deverá ser impedida de frequentar uma sala de professores. Os seus pares devem excomungá-la(o) como se fosse uma cadela tinhosa, ou cão tinhoso, portadora/portador da maior das pestes. Nestas circunstâncias, diz a sabedoria popular, “umas pauladas no cão são remédio santo”.
PS
Não me acusem de apelar à violência, quem se sente violentado, ofendido e maltratado sou eu cada vez que luto, lutamos, e um minoritário bando de acéfala(o)s com o seu egoísmo e cobardia nos traí.
Nota final: No início do texto em PACC, deve ler-se prova de avaliação de conhecimentos e capacidades e não Prova de Avaliação do Cretino do Crato.

domingo, 17 de novembro de 2013

Receita Portuguesa

retirada da net

RECEITA PORTUGUESA

pegue-se num homem quase perfeito
mas com o corpo de setenta anos
o coração pesado os ombros caídos
a  memória esvoaçante

descarne-se bem retirando direitos
pensões privilégios de quem sempre
viveu acima das suas possibilidades
trabalhando de canga e de besta
sem desejos de  viajar nem horas
para poder passar uma noite num hotel

depois de bem descarnado dos excessos
que o poderiam tornar insuportável
recheie-se com precários e desempregados
misturando algumas ervas aromáticas
enviadas por emigrados resplandescentes
que fizeram baixar o índice do desemprego

deixe-se a marinar com vinagre e placebos
para retirar algumas poupanças clandestinas
que poderiam ir parar às mãos dos netos
gananciosos por não terem aprendido a moral
do futuro radioso nas escolas dos jotinhas

para não se dizer que vai ao forno a crestar
por ser politicamente incorreto e a imprensa
divulgar tirando conclusões apressadas
dizemos que vai a gratinar a baixa temperatura
com uma camadinha de demagogia e água benta
para não estorricar revelando tratos de polé
sofridos durante o consulado da grande coligação
serve-se frio bem frio na fria mesa dos vampiros

Firmino Mendes

Lisboa, 07.11.2013

A Cidade do Fim

Fugindo de uma família com a qual nunca se identificou, Fátimo – assim chamado por ter nascido no ano das Aparições – concorre a um lugar de professor no Liceu Infante D. Henrique, em Macau, acabando por permanecer quase toda a vida nessa cidade que, dividida em duas comunidades aparentemente estanques – a branca e a chinesa –, soube cruzar e reunir o melhor dos costumes de ambas, gerando uma atmosfera social deveras singular.
Retirado do blogue Planeta Márcia

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Eles comem tudo...

                                                             Foto : Luís Costa
Estou cansado de viver neste mesmo pequeno país que devoram 
Escudados pelas desculpas mais miseráveis 
Este charco bafiento onde eles pastam 
Gordos que engordam 
Ricos que amealham sem parar 
Idiotas que gritam 
Paneleiros que se agitam de dedo no ar 
Filhos da puta a dar a dar 
Enquanto dá a teta da vaca do Estado 
(…)
Estou farto de abrir a porta de casa e nada estoirar como na televisão 
Não era lá longe, era aqui mesmo 
Barricadas, armas, pedradas, convulsão 
Nada, não há nada 
Os borregos, as ovelhas e os cabrões seguem no carreiro 
Como se nada lhes tocasse -- e não toca 
A não ser quando o cinto aperta 
Mas em vez da guerra 
Fazem contas para manter a fachada: 
Ah carneirada, vossos mandantes conhecem-vos pela coragem e pela devoção na gritaria do futebol a três cores 
Pelas vitórias morais de quem voa baixinho 
E assume discursos inflamados sem tutano.
Extrato de “ Vernáculo”, letra dos UHF, do álbum: A minha Geração

Caríssimos colegas deixo-vos com um vídeo a mostrar nas próximas reuniões de pais. Parece-me mais esclarecedor que qualquer discussão sobre metas e outras tretas.

Para ver, ouvir e divulgar massivamente.

domingo, 20 de outubro de 2013

Genocídio

Morte  aos troicanos!


Há palavras e vozes que nos sossegam, que nos deixam tranquilos, nos fazem pensar e agitam, são exemplares na análise e na coragem de dizer a verdade, sem meias tintas, falam-nos com tudo e de tudo a que temos direito.
Aqui ficam algumas das melhores coisas que li , ouvi e vi nos últimos dias.

Garcia Pereira, na ETV


domingo, 13 de outubro de 2013

Arripiante


“Uma folha cai ao céu.”
O escritor Knud Romer fala sobre a morte de seu pai.

Para ver e ouvir com atenção até ao fim. Vale a pena, muito a pena.
Se isto não vos “tocar”, é porque já morrestes. E, é pena…


domingo, 22 de setembro de 2013

BEM HAJAM !

“ O melhor espelho não reflecte o outro lado das coisas.”

Provérbio Japonês


António Lopes; Carlos Filipe; Ana Martins, Anabela; Armando; Armindo Carvalho; Américo Penedos; Américo Pereira; Carlos Filipe; Carlos Pereira; Carla Seixas; Carlos Silva; Eduarda; Emília Quaresma; Fernando; Fernando Manuel; Fernando Martins; Gilberto; Helena Filipe; Helena Farinha; Ismael, Júlia; Joaquim Ferreira; João Dias; José Luís Costa; José Santos; José Vaz; Luís Figueira; Luís Martins; Luís Machado; Luísa Galveia ;Manuel Rocha; Maria Guerra; Pedro Dias; Pedro Guerreiro; Rui Manuel; Rui Cardiga; Sílvio Lopes; Teresa Jacinto; Telma Neves…

Voltámos à escola, regressámos menos a uma escola menor, de aparência maior, com mais alunos por turma, com mais confusão e desorientação. Fala-se em autonomia, mas nunca, como agora, a escola pública foi tão controlada. O ministério não confia em ninguém, não acredita nos diretores, assoberba-os com diretivas de última e má hora que só prejudicam a boa gestão, odeia os professores, os funcionários não são precisos. A escola pública está a saque e, tal como o país, sequestrada, e cada vez mais nas mãos dos grandes interesses financeiros. Há menos professores, repito, mais turmas, com mais alunos, mais alunos sem turma, turmas sem professores, muitos, mas, muitos professores no desemprego. Aparentemente, muito aparentemente, tudo parece funcionar sobre rodas. Nero, vulgo INcrato, cada vez que fala, diz menos, mais pausadamente, mentindo mais e iludindo outro tanto. A voz pseudo-pausada com que nos vai brindando traz-me à memória, má memória, quiçá pesadelo, a outra alimária que um dia foi ministro e a que chamavam “Gasparzinho”. Vá-se lá saber porquê, para mim, Nero e Gaspar não passam de duas almas gémeas que encarnaram o lado mau de um dos piores e mais terríficos filmes de terror.
As salas de professores das nossas escolas são um misto de ilusão e cemitério. Esperança, ilusão, desânimo e incerteza misturam-se numa raiva surda onde o cheira a traça e incenso predominam. Um qualquer romance sobre a escola e os professores, escrito a partir da escola e das salas de professores, só poderá ter um de dois títulos: “ A vã ilusão de ensinar e o cemitério”, ou o “professor e o cemitério”.  Vivemos hoje, um dos capítulos derradeiros do fim da vida do professor. Mas isso, caros amigos, fica para outro dia, quero falar-vos, escrever, sobre outra coisa, que me dói, que me entristeceu e, por estes dias, me angustiou. A dor da ausência. Os muitos colegas, muitos dos bons profissionais, muitos dos bons amigos de que, agora, só recordo a cara e a voz. Os que o “sistema” lançou “borda-fora” quando podiam e deviam, dar mais, muito mais à escola, em saber e forma de estar. Falo claro está nos “aposentados”, nos que já não aguentavam mais e, podendo, deixaram o “ inferno escolar”. Que futuro tem uma profissão de onde são afastados os mais experientes, os que foram acumulando experiência e, em condições normais, seriam o garante da transmissão de uma cultura de saber estar e fazer, necessária à profissão. Bem sei que para o INcrato Arrobas, professor é sinónimo de Robot programado para corrigir exames e corrigir mais exames, ainda mais exames numa equação infinita de exames que um dia destes não servirão para nada, quando, tarde, se descobrir que os males do ensino não se resolvem com exames. De facto, só uma mente crática, na sua manifesta ignorância do que é uma escola e o “ensino dito secundário” em Portugal, ousaria sonhar tal coisa.
Mas, o que eu quero é “falar” dos que saíram, sem uma palavra, sem uma despedida, sem um reconhecimento, mas tão só com a sensação de que estavam a mais, não podiam mais. Não vos esquecerei, a escola não vos esquecerá. Várias gerações de alunos, não vos esquecerão. De uma forma ou de outra, uns mais outros menos, mas a vossa marca indelével ficou. BEM HAJAM! Grande abraço de solidariedade. 
Nós, todos os outros, na arena, de espada desembainhada, continuaremos fiéis aos mesmos princípios de sempre. Uma coisa vos prometemos: as salas de professores transformar-se-ão, num imenso cemitério, onde a curto prazo festejaremos o funeral político dos Neros troicanos que um dia tiveram a veleidade de nos desafiar.
Abraço solidário!