quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Chuva



 “… gosto do jeito com que a chuva, a neve, e o 'tempo ruim' acordam um fictício sentimento romântico dentro de mim." Fotografia e frase  de  Christophe Jacrot

Metáforas e Premonições em dia de chuva

 Chove como nunca. Uma chuva miudinha de beleza imensa: transparente, firme, persistente. Benditas lágrimas que do céu alimentam a terra. Engrossa, aumenta e bate cada vez mais forte. Molha certa, apesar do guarda-chuva e das mãos firmes que o sustentam. Não desistimos. Vento forte. Rajadas velozes. Um trovão, “a coisa”, alguns tremem, outros abrigam-se num oportunismo desabrido, qualquer telhado serve, outros ainda tentam escapar entre os pingos da chuva. Rezam com medo, têm medo, muito medo, jazem prostrados e tristes, muito tristes, subjugados. São restos, coisa pouca, coisas: Farrapos  que o vento rasgou.
Caminhamos, molhados, mas não fatigados, aconchegados no sonho e na esperança. Chove, não faz mal. Ah! E a imensa trovoada, o medonho e escuro céu. Água, muita água, frio, muito frio, vento forte, trovões. E nós que não desistimos. Um dia, a tarde não terá céu de chumbo, não choverá, de novo veremos um céu azul, brilhante, claro e sonhador.
Agamémnon juntará as forças da razão e a democracia triunfará apesar de Aquiles e outras desavenças, mais ou menos oportunistas. Agamémnon e Ulisses unidos e apoiados pelas Moiras cumprirão aisa. “ A coisa”, a tal nuvem horrenda, rabuda, malévola e doentia que ensombrou o horizonte perecerá definitivamente, esquecida, sem brilho e sem remorsos, tal a pobreza com que apareceu.


Zeus, pai dos deuses olímpicos, definitivamente esclarecido, finalmente consciente, presenteado e abençoado pela razão deixá-la-á afundar-se nas águas bravas do Letes, sem perdão e sem remissão. Chafurdará como dejeto imundo na podridão que semeou.
Água, muita água que alimenta o rio da razão. Estamos molhados, é possível. Continuamos o caminho. De repente, as Irínias completam a sua missão, uma brecha, céu azul, sol, muito sol, sol azul e sonhador. Valeu a pena a caminhada, o esforço, a luta, a resistência. De cara hirta e lavada olhamos o sol que nos aquece e conforta. Uma brisa suave e tranquila devolve-nos o ânimo, a justiça, a verdade, a autenticidade.
Zeus protege-nos, sabe da razão. “ A coisa”, a nuvem maldita, desapareceu de vez. Saudemos o sol, apuremos a razão. Na verdade, tudo vale a pena quando a alma não é pequena, mesmo em dias de chuva, mesmo em dias de submissão…

Agamémnon: Guerreiro que depois do rapto de Helena junta as forças gregas para marchar sobre Troia.
Aquiles: Herói da Ilíada. Ulisses: Herói do poema épico grego ODISSEIA.
Moiras: da mitologia grega, eram as três irmãs que determinavam o destino, quer dos deuses quer dos humanos. Aisa: Destino.
Irínias: Personificações da vingança que puniam os mortais.
Zeus: Mitologia grega, pai dos deuses olímpicos. Deus dos céus e do trovão.
Letes: Da mitologia clássica, situava-se no Hades (Inferno), rio do esquecimento para onde eram atirados os pecadores.