segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Chico Tretas


Com a minha sincera e sentida homenagem a alguma dita Comunicação Social e especial dedicatória a muitos dos “comentadores”.
 
CHICO TRETAS

 
Francisco Umbelino Urtiga Silveira, mais conhecido por “Chico Tretas”, caminha com Passos decididos para mais uma reunião semanal do MCR (Movimento dos Mentirosos Compulsivos Reunidos). Associação onde a mentira é lei mais que verdadeira e, onde a qualquer momento, a todo o instante, a mais verosímil das verdades se torna mentira. Esta agremiação foi criada no dia 1 de Abril de um ano qualquer, não se sabe a data certa, para que a qualquer hora, a todo o momento, a referência a uma hipotética data de criação possa ser pronta, eficazmente e compulsivamente desmentida. Francisco Umbelino, “Chico Tretas”, para os amigos, não se sabe bem se existe, ou se não passa de mais uma compulsiva mentira do movimento dos mentirosos compulsivos. Em seu redor, apenas e só, o manto diáfano, mais que fosco, da mentira. As cogitações de uma ficção ultra inverosímil impedem-me de continuar o texto, por considerar tudo o que se escreveu até agora, uma grande fraude, pior, uma compulsiva e incorrigível mentira.

…eu não sei se hei-de fugir ou morder o anzol
Rádio Macau é uma banda portuguesa formada em Algueirão, Mem Martins, no início dos anos 80.
 

domingo, 30 de novembro de 2014

O Homem e as suas circunstâncias.




Maus tratos/ Violência ( Bullying)na Escola – Uma questão de organização. Texto 3

O Homem e as suas circunstâncias.
A trovoada aproxima-se e, agora, que fazer? (Assim terminava o texto 2)

Partir o vaso? Mudar de vaso? Lançar uns pozinhos à água para evitar a contaminação? Que fazer, então?!
Há muito para fazer a e a tarefa não é nada fácil.
Em primeiro lugar, temos de partir o vaso, mudar de vaso, necessitamos como disse recentemente numa conferência o professor José Pacheco – Fundador da Escola da Ponte –:

“ Rever o paradigma de escola, as escolas são pessoas e as pessoas são valores”.
A escola que temos é a escola da desumanização, a escola da anarquia selectiva, a escola da não pessoa e do não professor, a escola do vazio cultural e hedonista que nem ensina nem educa.

            Professores, funcionários das escolas, pais e alunos têm de se unir e lutar por uma Escola Nova, uma Escola Pública Democrática assente numa concepção de humanidade e justiça, em que liberdade implica para todos e cada um igualdade e reciprocidade. Urge construir uma escola com seres capazes de agir e pensar respeitando os outros e tudo e o todo que é de todos. Precisamos de abolir  das nossas escolas o hedonismo do eu que se sobrepõe a todos e tudo.

É um vasto e difícil programa, repito, mas, enquanto tal não é possível, e sem perdermos de vista o que referi atrás, tendo em mãos um problema grave, no imediato há que enfrentá-lo, por isso, deixo-vos com algumas ideias que me parecem importantes:

  - Alertar, sensibilizar todos, evitar o silenciamento e negação do que nesta matéria se vai passando nas escolas.

  - Envolver professores, pais, funcionários, direcções das escolas, alunos e comunidades é fundamental para exterminar o problema.
 - Ensinar /educar para os valores
- Ensinar, educar e formar para a diferença.
 - Ensinar/formar para a não-violência e para a mediação de conflitos todos os que participam na vida da escola.
 -Ensinar e formar para os uso correcto e responsável da internet e das redes sociais.
 - Fazer formação e aconselhamentos contínuos. Todos devem saber como identificar os sinais de aviso e compreender os princípios que os sustentam.
- Acesso fácil aos técnicos e especialistas.
-Estar atento, muito atento e denunciar toda e qualquer tentativa de maus tratos pedindo ajuda ou actuando se tal estiver ao nosso alcance.
Bem sei, que ao  ministério da deseducação deveríamos responder: “Olho por olho, dente por dente.” Mas, como hoje não vos quero falar do agressor, prefiro terminar com optimismo. Com toda a razão, alguns afirmam que, um Homem é sempre o Homem e as suas circunstâncias,” então é preciso alterar humanamente as circunstâncias, para ser verdade:
 “Não fazer ao outro aquilo que não queremos que nos façam a nós!”
Reportagem vídeo do painel em que participei. (Por razões técnicas a minha intervenção não ficou toda, mas vale a pena ver e ouvir com atenção todas as intervenções):

 
Um em cada três adolescentes é vítima de bullying na escola, revela um estudo da Unicef sobre violência contra crianças. CLICAR AQUI !


domingo, 23 de novembro de 2014

A água e o vaso.



Maus tratos/ Violência ( Bullying)na Escola – Uma questão de organização.

Texto 2.

A água e o vaso

A água toma sempre a forma do vaso.”
Provérbio japonês

            N a verdade, segundo a abundante literatura da especialidade, os factores organizacionais da escola e a cultura da escola, das escolas, poderão propiciar o desenvolvimento de comportamentos de Bullying ,  De entre os factores ambientais que  facilitam/influenciam  o desenvolvimento deste tipo de violência destacam-se:
            A dimensão das escolas – As escolas maiores referem a existência de uma maior percentagem de violência.
            As escolas que têm regras claras de conduta referem menos violência
            Número de alunos por turma – Há uma relação directa entre um menor número de alunos por turma e uma menor violência
            Práticas disciplinares justas e céleres – As escolas em que os alunos classificam as práticas disciplinares de justas referem menos violência.
            Participação nos processos de tomada de decisão – As escolas em que os responsáveis administrativos e pedagógicos, especialmente, os responsáveis por manter a disciplina oferecem aos professores, funcionários e alunos oportunidades de participação nos processos de decisão apresentam menos violência.
            A coesão entre o corpo docente – A coesão entre o corpo de professores e os responsáveis pela manutenção da disciplina na escola está relacionada com uma menor violência.
            Controlo discente – As escolas onde os alunos mencionam que sentem que controlam as suas vidas referem a existência de menos violência.

    Respeito pelos dirigentes escolares – As escolas em que os responsáveis por manter a disciplina não são respeitados pelos alunos referem mais violência.
            Educação para os valores - As escolas em que se trabalham os valores apresentam menos violência.
            Educação para a não – violência - As escolas em que se praticam formas alternativas e assertivas de gerir conflitos referem menos violência.”
             Acreditando nos especialistas e nos estudos, em Portugal, está a fazer-se tudo ao contrário.
  Escolas de dimensão Hipermercado, os mega agrupamentos que, nalguns casos, atingem mais de 3500 alunos, diminuindo drasticamente o número de professores e funcionários gerando mais confusão, menos supervisão, mais violência e de certeza mais  Bullying e menos tempo e pessoas para o combater. Acentua-se a desumanização de que falava o nosso Nobel.
            Aumento exponencial do número de alunos por turmaTurmas com trinta e mais alunos, dificultando o controlo da turma por parte dos professor, mais indiferenciação.
            Raras são as escolas em que existe um plano claro e objetivo de combate à violência escolar, com regras claras de conduta, capazes de prevenir o Bullying. Muitas vezes navega-se à vista reagindo e não agindo.
            O princípio de uma justiça justa e rápida é posto em causa por procedimentos desajustados e burocráticos que transformaram as escolas em tribunais e os professores em delegados do ministério público. A teia burocrática e legalista (No pior sentido do termo) fomenta a inércia e a impunidade vai fazendo lei. Muitos alunos saem da escola sem conhecer os princípios da causa/ efeito. 
    O modelo de Gestão Escolar que, lembremos vem dos tempos de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues (convém que não tenhamos memória curta) afastou a maior parte dos profissionais de educação da tomada de decisões. Nas escolas há hoje uma espécie de RDM das ordens e da obediência cega, tendo como consequências, entre outras, menor participação, menos envolvimento, menos discussão, menor respeito pelo outro, outros. Tudo anda à volta do medo e da consequência. Perdeu-se a autenticidade, sobressai e predomina o desejo de agradar e de obedecer a quem decide da vida de muitos.
Os professores, por força de um modelo de gestão que os afastou da tomada de decisões e da participação democrática na vida das escolas, muitas vezes, não reconhecem autoridade a quem trata e decide das questões da violência em contexto escolar. A não escolha, a não participação afectam a credibilidade e a capacidade de acção.
    Acentua-se diariamente a instabilidade pessoal e profissional nos professores, a negatividade é o alimento quotidiano dos docentes e todos percebemos e sabemos que quem não está bem, não consegue, não pode, prestar a melhor atenção aos problemas dos outros, “bastam-lhes os seus”, como o diz o povo.
    Uma escola que hipervaloriza os exames e os “rankings” transformando o professor em treinador de exames desvaloriza-o na sua função humana e educativa e por coacções várias vai-lhe retirando a capacidade e o tempo que possa dedicar aos outros, neste caso, a si próprio, à sua família, aos seus amigos e às pessoas dos seus alunos.
     A impunidade é tal que, muitas vezes, os alunos já não acreditam nos dirigentes escolares quando estes dizem que os vão sancionar ou punir, os mais velhos, ou os mais inteligentes sabem que voltarão sempre ao local do crime como se nada tivesse acontecido, sobrando para a escola e para os professores todo um trabalho de “compensação” que os levará” pensar duas vezes”, antes de se decidirem por nova punição.
    Educação para os valores e para a não- violência são coisas formalmente indesejáveis. Do topo à base, nas escolas portuguesas, inclusive nas faculdades, o que se fomenta, o que se programa nem que seja de forma oculta é a obediência cega, o respeito pelos chefes, pelos mais fortes, maus e sem carácter, se não é assim, porque perduram as praxes e as sevícias académicas. O que se faz na maior parte delas e de conhecimento público, não é Bullying extremo?!
Infelizmente, os professores também são vítimas de maus tratos, não só os que vêm directamente do ministérios, como ainda os provocados por alunos e pais “marginais”, agressivos e intimidatórios; dos colegas que gozam, assediam e intimidam reiteradamente os seus pares e, sobretudo, o abuso de poder hierárquico.
   Pois, se como diz o provérbio, “ A água toma sempre a forma do vaso”, cuidado, muito cuidado, com a água que cai nos vasos das nossas escolas. A trovoada aproxima-se e, agora, que fazer?

CONTINUA  ( TEXTO A PUBLICAR).

domingo, 16 de novembro de 2014

Maus tratos/ Violência ( Bullying)na Escola – Uma questão de organização. Texto 1.




 


Começo hoje a publicação de 3 textos que serviram de base à comunicação que apresentei no “CONGRESSO do BULLYING”, realizado no dia 4 de Outubro de 2014, no Centro Lúdico de Massamá.

Maus tratos/ Violência ( Bullying)na Escola – Uma questão de organização.

A violência do que não vejo. O que quero ver e alguns escondem.

Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegamos a isso, não somos seres humanos. (…) Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro. Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica.”

José Saramago. A semente e os frutos.
Canarias 7, las Palmas, 20 de Fevereiro de 1994 (Entrevista de Esperanza Pamplona.


Deixando para os técnicos abordagens mais específicas da problemática a minha intervenção centrar-se-á, sobretudo, nos aspectos organizativos da escola e sobre aquilo que se faz ou não nas escolas para combater o problema. Desde já, quero dizer-vos que não gosto da palavra “Bullying”, vejam bem, nem da palavra gosto, irrita-me solenemente, a submissão, a ignorância como muitos estrangeirismos entram na língua portuguesa. Nós já tínhamos os maus tratos, a violência, sobre o outro, outros, muito antes de os Ingleses ou alemães, nos virem dar lições de bullying. Se ainda não se deram conta, ficam já a saber que até na língua há maus tratos e de que tamanho senhores, são” tratos de polé”. Ainda há bem pouco tempo uma economia mais forte impôs à fraca economia de um país de políticos medíocres um acordo ortográfico absolutamente desastroso. E a sabedoria popular portuguesa, a mui rica sabedoria popular portuguesa, há muito que respondia e apontava a estratégia para responder às agressões quer físicas quer psicológicas, quem é que nunca ouviu a expressão:


“Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti.”

Na verdade, bastava-nos recorrer à sabedoria do povo português, chegava-nos

perceber e ser capaz de transmitir às gerações  mais novas, toda a riqueza e todos os valores de justiça e de respeito pelo outro e de humanismo que encerra a expressão citada. Mas, por onde andam os valores, será que estão na escola? E fora dela?
Voltaremos ao assunto, por agora, interessa antes de mais definir o que entendo por “Maus tratos”, vá lá por hoje até aceito que lhe chamem “Bullying” senão corremos o risco de não nos entendermos e não é isso que pretendo. Numa definição que não é minha, mas da literatura especializada sobre o tema, considera-se que existe:

“ Bullying  quando uma pessoa mais forte e mais poderosa magoa ou assusta uma pessoa mais pequena ou mais fraca, deliberadamente (de propósito)e de forma repetida (muitas vezes).”

Como se pode ver pela definição, esta forma de violência não é património dos ingleses dos americanos ou dos alemães, se bem que sejam estes últimos quem nos trata pior, isso “são contas de outro rosário”, ou se calhar nem tanto. Na verdade, o problema é muito antigo, até há quem diga que, “ Tudo começou com o ciumento /invejoso Caim quando assassinou o seu irmão Abel …ou desde que o primeiro homem das cavernas resolveu impor as suas decisões à mocada dando com a clava na cabeça dos outros.” (Reparem que ainda não falei das escolas, mas já me referi às cavernas, aos homens das cavernas, portanto não ando longe, estamos perto, sem dúvida. Na verdade, e cada vez mais as nossas crianças passam demasiado tempo nas escolas, a carga horária a que estão sujeitas é uma violência, quase podemos afirmar que as escolas estão organizadas para a violência, para os maus tratos, o resto vem por “arrastão.”

Vamos então às escolas:
Imitando o que se passa à sua volta e sendo os muros da escola incapazes de suster os males da sociedade, a escola é o lugar excelso e predilecto onde acontecem muitos dos maus tratos e da violência sobre o outro, outros. Nem sempre acontece de uma forma clara, a maior parte das vezes é muito subtil, escondido da vista do adulto, nem sempre os sinais são evidentes, e mesmo quando os sinais são claros e perceptíveis há dificuldade em actuar.

Nas nossas escolas, sobretudo nos recreios e espaços escolares impera cada vez mais a lei do mais forte, do rufia, do “gangster” que tudo e todos domina. Aparentemente, estamos longe das cavernas… mas, a verdade é que a confusão, a resolução de conflitos com violência e pela violência acentuam-se. Nos pátios de algumas escolas e nalgumas salas de aulas a forma mais comum de comunicação, de saudação, são a batida e a agressão física ou psicológica. Na escola ainda não saímos da caverna. A luz está longe e as sombras do medo e da confusão ainda imperam.
Não pensem que estou a exagerar, a caricatura é aliás pequena para males tão grandes, pois se acham que exagero, vejam, pensem no que se transformaram as escolas nos últimos tempos. Aliás quero pedir-vos desculpa pelo erro, para além das que encerram, no discurso e terminologia oficial já não existem, agora temos “unidades organizacionais”.  As escolas é certo, morreram.

A organização é tudo, mas, sobretudo, a desorganização para os maus tratos, para a violência, para o “Bullying.”
Continua (texto a publicar)

 
 
 

 
 

domingo, 2 de novembro de 2014

AQUI HÁ GATO ! "Os gastos do Incrato"

Foto retirada do blog : "Tertúlia Invisível ".
"Gato Leitor", amigo de "No Coração da Escola".
 Estratega com vasta experiência na luta contra os Ratos de ministério


Miadela nº 2: "Os Ratos do ministério".

Há qualquer coisa de absolutamente sinistro no serventuário troicano, que dá pelo nome de :( IN)Crato, para além de ficar na no caixote de lixo da História da Educação ao lado da não menos sinistra Milú ,é um incapaz mistificador. Quando chegou ao ministério disse, “que era necessário fazer mais com menos.” E como bom mata professores tratou de “chacinar” docentes e a Escola Pública. Mas, o princípio que aplicou aos professores esqueceu-o para a vasta e ignóbil equipa de que se rodeou para destruir as escolas e os profissionais que nela labutam diariamente. Para a sua corte não houve poupanças, não houve mais com menos, é um fartar vilanagem. Sem mais delongas atentemos em mais uma das denúncias feitas pelo professor Santana Castilho:
«O gabinete do ministro da educação gasta, por ano, DOIS MILHÕES, seiscentos e doze mil, duzentos e treze euros. “Para quê?”, Perguntam os portugueses. Para pagar a 5 CHEFES DE GABINETE (a cinco membros do governo que estão a destruir a educação), a 14 ADJUNTOS, a 12 ESPECIALISTAS, a 9 SECRETÁRIOS PESSOAIS, a 26 TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS, a 12 AUXILIARES e a 13 MOTORISTAS!»
- Santana Castilho no ETV
Retirado do facebook da Ana Lima :  (17/10/2014
Pois é, na verdade, “ AQUI HÁ GATO”, Os Ratos foram até ao ministério …. Já vai sendo tempo de começarmos “a armar os costis”.
“Costil” :expressão beirã que significa “armadilha para ratos ou pássaros.

domingo, 26 de outubro de 2014

Inclinados



 “… sondagem da Universidade Católica para o DN,JN;RTP e Antena 1 mostra que 45% dos portugueses estão inclinados a votar PS nas legislativas.”
Excerto retirado de notícia de capa do Diário de Notícias (19 de Outubro de 2014) versão impressa. Sublinhado de “ No Coração da Escola”.
Confesso que os resultados da sondagem não me impressionaram, na verdade o que levou à minha reflexão e preocupação foi a utilização da palavra “inclinados”. Intencionalmente, não me refiro às diferentes aceções de inclinados, interessa-me para já e só a semântica, ou seja, o significado ou significados da palavra.
O ponto de vista ou lugar onde nos encontramos condiciona, todos sabemos, aquilo que vemos ou até tentamos ver. Durante largos minutos interroguei-me se da parte do jornalista existiria uma intenção meramente informativa. Quereria informar que, de acordo com a sondagem, uma percentagem de votantes portugueses estará disposta a votar num determinado partido político? Assumindo que seria esta a intenção, podemos ler a notícia como manifestação de uma tendência, de um sentido de voto.
A minha leitura da notícia foi muito além do que supostamente desejaria o jornalista, erro meu sem dúvida. Habituado a ler e a pensar em termos de metalinguagem lembrei-me de outros significados da palavra inclinados e mesmo do verbo inclinar. Daí que tenha lido a noticia como:
Portugueses estão abaixados; portugueses estão dobrados; portugueses estão curvados; portugueses estão reverentes; portugueses estão desviados da verticalidade. 
Sem surpresa, algo triste, pensei:
Alguns portugueses (habitantes de um dos mais obedientes protectorados  alemães), país à beira do precipício , estão pendentes e sem verticalidade, quiçá mesmo inclinados e sem salvação. Triste sina a daqueles que não querem ver, má memória a dos que não querem recordar. Se olhassem e se vissem, se recordassem e refletissem, se contemplassem o horizonte perscrutando e interrogando, se se imaginassem como peixes, se, por alguns instantes, encarnassem a vida de peixes inclinados e subjugados veriam junto à margem um isco apetitoso e apelativo, sem demora correriam ao alimento fácil. Mas, se por força das marés hirtas pudessem observar fora de água toda a movimentação de Costa veriam um anzol.
Último pensamento - Será que os portuguese são como os peixes?
- Não sei, apenas recordo que há um provérbio japonês que nos diz:
“ O peixe não vê o anzol, ele só vê o isco”.
Terá sido por isto, imagino, que o Padre António Vieira dedicou grande parte da sua vida a fazer sermões aos peixes. Oxalá que nos mares brasileiros tenha servido para alguma coisa, por cá parece que não serviu para nada. Por isso mesmo, não tarda que a caça ao gambuzino seja o grande desígnio nacional.

domingo, 19 de outubro de 2014

Aqui há gato!

Aqui há gato !
Baú das pequenas curiosidades

“Portugal é um dos países que cobram mais propinas e dão menos bolsas
Há apenas mais quatro países da União Europeia que obrigam todos os alunos do ensino superior a pagar para estudar.”

Segundo o Relatório "Sistemas Nacionais de Propinas no Ensino Superior Europeu", citado na edição impressa do DN de 19 de Outubro de 2014 :

“Frequentar o ensino superior a tempo inteiro na Dinamarca é garantia quase automática para receber bolsa. Aos alunos basta que preencham os requisitos básicos de desempenho escolar. O mesmo acontece na Finlândia e na Suécia. Mas a Finlândia consegue dar ainda mais benefícios, já que ninguém paga propinas”
Texto com pequenas alterações e sublinhados da minha responsabilidade.

Pois é, os dinamarqueses, os suecos e os finlandeses têm muito que aprender com os orçamentos portugueses…
Por cá o dinheiro vai todo para pagar aos gatunos da Banca e para os  juros da dívida !!!