domingo, 22 de dezembro de 2013

AGIR


AGIR (Apoio à Gestão da Indisciplina e Reintegração).
Enquanto professor foi um dos projetos mais interessantes em que participei e ajudei a criar. Numa escola, a PAN, em que a nível disciplinar se vivia o caos, no espaço escolar reinava o poder do mais forte e a impunidade ditava as regras. As salas de aula eram um pandemónio, o saber ser e estar eram coisas para uma minoria, regras e respeito pelo outro só para as calendas gregas, ou seja, nunca.
Um grupo forte e esclarecido, inspirando-se nos princípios da mediação de conflitos, com muito esforço e dedicação procurou e, em parte, conseguiu alterar o clima de guerra e desordem permanente, sobretudo, nos ditos pátios onde roubo, agressão e extorsão eram prática normal. Ainda não se falava em maus tratos ou, só por essa altura, se acordava para a problemática quando um grupo de professores contra tudo e contra todos ousou lutar conta a corrente das lamentações, da indiferença do conformismo e do deixa andar.
O AGIR mobilizou professores, alunos, funcionários, pais e encarregados de educação. A consigna “ Agir sim, reagir não! “deu frutos e deixou marca. Na verdade, por estes dias o projeto está sem pernas, sem cabeça e de coração fraco. Apesar de tudo e fruto do labor de novas equipas vem-se mantendo. Raros são os projetos desta natureza que se aguentam mais de 2 ou 3 anos, este já ultrapassou uma década, o que só prova a sua validade e vitalidade.
Projetos assentes nos princípios e valores da mediação de conflitos são cada vez mais uma necessidade imperiosa nas nossas escolas. Uma tutela vesga e apostada na destruição da escola pública asfixia-os, ao invés de os apoiar e valorizar. Um ministro insultuoso e Incrato vai destruindo o que de bom havia nas escolas. A indisciplina aumenta dia a dia e os projetos que lhe podiam fazer frente vão morrendo. Um dia destes, quando alguns acordarem, descobrir-se-á que os exames de que Nero tanto gosta são a prova de que a escola pública está a morrer. De qualquer modo, aqui e agora, não quero lembrar almas infernais, mas, bem pelo contrário, prestar homenagem a todos os que nos últimos dez anos deram o seu melhor pelo projeto, combatendo a indisciplina, fomentando a integração e deste modo, apesar de tudo, tentaram uma escola melhor. Aqui fica o meu reconhecimento pelo trabalho de mais de uma década.
Bem-haja!
Há um episódio que quero destacar e relembrar, pela importância, pelo que significou e porque está fresco na memória, apesar de ontem, dia 21 de dezembro, terem passado dez anos sobre a sua realização, refiro-me ao primeiro jantar de Natal do grupo AGIR, na Fábrica da Pólvora em Oeiras. Momento de confraternização e união que entre outras coisas ficou marcado pela veia poética do nosso grande colega e amigo, José Luís Costa. Recordo o momento em que sempre animado e positivo nas leu as quadras em que se referia aos membros da equipa.
E começou assim, “O Mestre”:
“O AGIR surgiu de uma necessidade imperiosa,
De lutar contra o roubo, agressão e extorsão.
Escolhendo-se mágicos para uma onda laboriosa,
Sabendo que teríamos uma melhoria na ação.”
 

domingo, 15 de dezembro de 2013

A PROVA


“Aquilo que eu poderia ter feito por um grupo e não fiz, representa um “ custo de oportunidade”, para aquela pessoa ou grupo específico (ou seja, um ganho ou perda que aquela pessoa ou grupo não obteve ou não sofreu).”
Carlo Cipolla, As leis fundamentais da estupidez humana

A Prova
Na verdade, já quase tudo foi dito sobre a chamada PACC, por isso, não me alongarei sobre esta coisa ignóbil que só uma mente crática teima em defender, a mente mais salazarista dos amanuenses da tróica que, para mal dos nossos pecados encarnou a “disfunção” de ministro da educação de um governo traidor e vende-pátrias. Esta iníqua prova é uma afronta a todos os professores, contratados e não contratados, daí que qualquer verduga(o) sem escrúpulos e sem consciência mínima do que é estar numa profissão com dignidade que se disponibilize para colaborar em tamanha ofensa a toda uma classe deverá ser impedida de frequentar uma sala de professores. Os seus pares devem excomungá-la(o) como se fosse uma cadela tinhosa, ou cão tinhoso, portadora/portador da maior das pestes. Nestas circunstâncias, diz a sabedoria popular, “umas pauladas no cão são remédio santo”.
PS
Não me acusem de apelar à violência, quem se sente violentado, ofendido e maltratado sou eu cada vez que luto, lutamos, e um minoritário bando de acéfala(o)s com o seu egoísmo e cobardia nos traí.
Nota final: No início do texto em PACC, deve ler-se prova de avaliação de conhecimentos e capacidades e não Prova de Avaliação do Cretino do Crato.

domingo, 17 de novembro de 2013

Receita Portuguesa

retirada da net

RECEITA PORTUGUESA

pegue-se num homem quase perfeito
mas com o corpo de setenta anos
o coração pesado os ombros caídos
a  memória esvoaçante

descarne-se bem retirando direitos
pensões privilégios de quem sempre
viveu acima das suas possibilidades
trabalhando de canga e de besta
sem desejos de  viajar nem horas
para poder passar uma noite num hotel

depois de bem descarnado dos excessos
que o poderiam tornar insuportável
recheie-se com precários e desempregados
misturando algumas ervas aromáticas
enviadas por emigrados resplandescentes
que fizeram baixar o índice do desemprego

deixe-se a marinar com vinagre e placebos
para retirar algumas poupanças clandestinas
que poderiam ir parar às mãos dos netos
gananciosos por não terem aprendido a moral
do futuro radioso nas escolas dos jotinhas

para não se dizer que vai ao forno a crestar
por ser politicamente incorreto e a imprensa
divulgar tirando conclusões apressadas
dizemos que vai a gratinar a baixa temperatura
com uma camadinha de demagogia e água benta
para não estorricar revelando tratos de polé
sofridos durante o consulado da grande coligação
serve-se frio bem frio na fria mesa dos vampiros

Firmino Mendes

Lisboa, 07.11.2013

A Cidade do Fim

Fugindo de uma família com a qual nunca se identificou, Fátimo – assim chamado por ter nascido no ano das Aparições – concorre a um lugar de professor no Liceu Infante D. Henrique, em Macau, acabando por permanecer quase toda a vida nessa cidade que, dividida em duas comunidades aparentemente estanques – a branca e a chinesa –, soube cruzar e reunir o melhor dos costumes de ambas, gerando uma atmosfera social deveras singular.
Retirado do blogue Planeta Márcia

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Eles comem tudo...

                                                             Foto : Luís Costa
Estou cansado de viver neste mesmo pequeno país que devoram 
Escudados pelas desculpas mais miseráveis 
Este charco bafiento onde eles pastam 
Gordos que engordam 
Ricos que amealham sem parar 
Idiotas que gritam 
Paneleiros que se agitam de dedo no ar 
Filhos da puta a dar a dar 
Enquanto dá a teta da vaca do Estado 
(…)
Estou farto de abrir a porta de casa e nada estoirar como na televisão 
Não era lá longe, era aqui mesmo 
Barricadas, armas, pedradas, convulsão 
Nada, não há nada 
Os borregos, as ovelhas e os cabrões seguem no carreiro 
Como se nada lhes tocasse -- e não toca 
A não ser quando o cinto aperta 
Mas em vez da guerra 
Fazem contas para manter a fachada: 
Ah carneirada, vossos mandantes conhecem-vos pela coragem e pela devoção na gritaria do futebol a três cores 
Pelas vitórias morais de quem voa baixinho 
E assume discursos inflamados sem tutano.
Extrato de “ Vernáculo”, letra dos UHF, do álbum: A minha Geração

Caríssimos colegas deixo-vos com um vídeo a mostrar nas próximas reuniões de pais. Parece-me mais esclarecedor que qualquer discussão sobre metas e outras tretas.

Para ver, ouvir e divulgar massivamente.

domingo, 20 de outubro de 2013

Genocídio

Morte  aos troicanos!


Há palavras e vozes que nos sossegam, que nos deixam tranquilos, nos fazem pensar e agitam, são exemplares na análise e na coragem de dizer a verdade, sem meias tintas, falam-nos com tudo e de tudo a que temos direito.
Aqui ficam algumas das melhores coisas que li , ouvi e vi nos últimos dias.

Garcia Pereira, na ETV


domingo, 13 de outubro de 2013

Arripiante


“Uma folha cai ao céu.”
O escritor Knud Romer fala sobre a morte de seu pai.

Para ver e ouvir com atenção até ao fim. Vale a pena, muito a pena.
Se isto não vos “tocar”, é porque já morrestes. E, é pena…


domingo, 22 de setembro de 2013

BEM HAJAM !

“ O melhor espelho não reflecte o outro lado das coisas.”

Provérbio Japonês


António Lopes; Carlos Filipe; Ana Martins, Anabela; Armando; Armindo Carvalho; Américo Penedos; Américo Pereira; Carlos Filipe; Carlos Pereira; Carla Seixas; Carlos Silva; Eduarda; Emília Quaresma; Fernando; Fernando Manuel; Fernando Martins; Gilberto; Helena Filipe; Helena Farinha; Ismael, Júlia; Joaquim Ferreira; João Dias; José Luís Costa; José Santos; José Vaz; Luís Figueira; Luís Martins; Luís Machado; Luísa Galveia ;Manuel Rocha; Maria Guerra; Pedro Dias; Pedro Guerreiro; Rui Manuel; Rui Cardiga; Sílvio Lopes; Teresa Jacinto; Telma Neves…

Voltámos à escola, regressámos menos a uma escola menor, de aparência maior, com mais alunos por turma, com mais confusão e desorientação. Fala-se em autonomia, mas nunca, como agora, a escola pública foi tão controlada. O ministério não confia em ninguém, não acredita nos diretores, assoberba-os com diretivas de última e má hora que só prejudicam a boa gestão, odeia os professores, os funcionários não são precisos. A escola pública está a saque e, tal como o país, sequestrada, e cada vez mais nas mãos dos grandes interesses financeiros. Há menos professores, repito, mais turmas, com mais alunos, mais alunos sem turma, turmas sem professores, muitos, mas, muitos professores no desemprego. Aparentemente, muito aparentemente, tudo parece funcionar sobre rodas. Nero, vulgo INcrato, cada vez que fala, diz menos, mais pausadamente, mentindo mais e iludindo outro tanto. A voz pseudo-pausada com que nos vai brindando traz-me à memória, má memória, quiçá pesadelo, a outra alimária que um dia foi ministro e a que chamavam “Gasparzinho”. Vá-se lá saber porquê, para mim, Nero e Gaspar não passam de duas almas gémeas que encarnaram o lado mau de um dos piores e mais terríficos filmes de terror.
As salas de professores das nossas escolas são um misto de ilusão e cemitério. Esperança, ilusão, desânimo e incerteza misturam-se numa raiva surda onde o cheira a traça e incenso predominam. Um qualquer romance sobre a escola e os professores, escrito a partir da escola e das salas de professores, só poderá ter um de dois títulos: “ A vã ilusão de ensinar e o cemitério”, ou o “professor e o cemitério”.  Vivemos hoje, um dos capítulos derradeiros do fim da vida do professor. Mas isso, caros amigos, fica para outro dia, quero falar-vos, escrever, sobre outra coisa, que me dói, que me entristeceu e, por estes dias, me angustiou. A dor da ausência. Os muitos colegas, muitos dos bons profissionais, muitos dos bons amigos de que, agora, só recordo a cara e a voz. Os que o “sistema” lançou “borda-fora” quando podiam e deviam, dar mais, muito mais à escola, em saber e forma de estar. Falo claro está nos “aposentados”, nos que já não aguentavam mais e, podendo, deixaram o “ inferno escolar”. Que futuro tem uma profissão de onde são afastados os mais experientes, os que foram acumulando experiência e, em condições normais, seriam o garante da transmissão de uma cultura de saber estar e fazer, necessária à profissão. Bem sei que para o INcrato Arrobas, professor é sinónimo de Robot programado para corrigir exames e corrigir mais exames, ainda mais exames numa equação infinita de exames que um dia destes não servirão para nada, quando, tarde, se descobrir que os males do ensino não se resolvem com exames. De facto, só uma mente crática, na sua manifesta ignorância do que é uma escola e o “ensino dito secundário” em Portugal, ousaria sonhar tal coisa.
Mas, o que eu quero é “falar” dos que saíram, sem uma palavra, sem uma despedida, sem um reconhecimento, mas tão só com a sensação de que estavam a mais, não podiam mais. Não vos esquecerei, a escola não vos esquecerá. Várias gerações de alunos, não vos esquecerão. De uma forma ou de outra, uns mais outros menos, mas a vossa marca indelével ficou. BEM HAJAM! Grande abraço de solidariedade. 
Nós, todos os outros, na arena, de espada desembainhada, continuaremos fiéis aos mesmos princípios de sempre. Uma coisa vos prometemos: as salas de professores transformar-se-ão, num imenso cemitério, onde a curto prazo festejaremos o funeral político dos Neros troicanos que um dia tiveram a veleidade de nos desafiar.
Abraço solidário!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Escuta !


Foto :Retirada do google +
 

Caros visitantes, leitores e amigos chegou o momento de uma merecida e justa pausa, precisamos de recarregar baterias, de trilhar novos caminhos, de respirar profundamente novos ares. Partir, andar por ai, navegar sem destino, reinventarmo-nos, sentir um novo eu capaz de reforçar o que de melhor somos. Simplesmente estar, para ser, descontrair na procura de uma nova e mais forte força de implosão. Andar perto caminhando longe. Renascer, esvaziar, limpar a mente, como diria um sábio mestre de artes marciais:

“ Liberta-te. Se tentares lembrar tudo, perdes. Esvazia o teu pensamento. Escuta, não podes ver, mas podes ouvir. O vento! Escuta os pássaros. Estás a ouvir os pássaros? Tens de te tornar vento. Esvazia o teu pensamento. Sabes como a água enche uma chávena? A água se torna chávena. Tens de estar preparado. Tens de pensar em nada. Tens que tornar-te fluido. Tens de te transformar em nada”.
Um “nada” que é tudo, tal como o mito de Fernando Pessoa. Um nada que se transforma em “ambrósia” e nos faz mais fortes. Por isso, caros amigos aproveitem estes breves momentos. Bom descanso e se possível boas férias!
Tão Perto, mas por caminhos diferentes…




terça-feira, 30 de julho de 2013

Ressuscitará?

Foto: Luís Sérgio

Inspirado no” menino de sua mãe” de Fernando Pessoa, aqui vos deixo, um grito de dor, lamento, por um povo subjugado e silenciado pelas gargalhadas das hienas do mais desenfreado capitalismo.


Ressuscitará?

No cantinho europeu abandonado
Que a troica bruta arrefece,
por  portas e coelhos ultrajado
facínoras, de lado a lado,
Jaz obediente, e prostrado.

Um povo sem sangue.
De braços estendidos,
à fome, mendigando, exangue,
Fita com olhar langue
e cego, os céus perdidos.

Que povo! Que povo era!
(agora que (in) dignidade tem?)
Povo único, a mãe lhe dera
um nome e o mantivera:
«Lusitano.»

Caiu-lhe da algibeira
a última migalha breve.
Dera-lhe o FMI. Está inteira
E boa a migalha.

(Um qualquer rato a comerá)
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço para dizer adeus…

deu-lho a chanceler estouvada
que de porco o batizou.

Lá longe, no BCE, há a prece:
“Que pague cedo, e bem!”
(Malhas que Belém tece!)
Jaz morto e apodrece
O Lusitano povo.

Ressuscitará?
Será que se levantará,
Contra os filhos da mãe?

domingo, 21 de julho de 2013

Dividocracia


Dividocracia
Um documentário de 2011 que vale a pena ver ou rever. Para reflectir e arejar as mentes sobre a crise e as dívidas. Para centrar a política naquilo que muitos querem ignorar: a quem serviu a dívida? Quem a deve pagar?

“Documentário que revela a crise económico-social pela qual passam os países periféricos da União Europeia. Vemos como as políticas económicas neoliberais impostas pelos agentes financeiros da UE levam à bancarrota os países de sua periferia e os deixam maniatados às decisões das grandes corporações financeiras extranacionais. O interesse primordial é sempre a defesa dos ganhos dos grandes grupos financeiros dos países mais fortes, principalmente da Alemanha, em detrimento das maiorias populares dos países de segunda linha como Grécia e Irlanda.
O filme também nos mostra que é possível enfrentar com êxito as pressões dos aparelhos ao serviço do capital financeiro mundial (FMI, Banco Mundial, etc.) quando os governantes do país ameaçado têm suficiente dignidade para colocar em primeiro lugar a satisfação das necessidades de seu povo, e não a obsessão por lucros dos magnatas financeiros. É o caso do Equador dirigido por Rafael Correa.

Este documentário expõe a crueldade que move o neoliberalismo em seu afã por ganhar cada vez mais às custas do sacrifício de todos os demais setores da população. Ele também deixa claro que, com a decidida mobilização das maiorias populares, o monstruoso aparato financeiro pode ser derrotado.”
Texto retirado da internet


 


terça-feira, 16 de julho de 2013

A Minha Geração


“Um povo entre a espada e a parede
Neste início da segunda década do século, o ambiente em Portugal é opressivamente depressivo. A crise económica colocou milhões no limiar da sobrevivência. Sobrevivendo, sem qualidade de vida ou conforto material. (…) fecham empresas diariamente, são lançados milhares no desemprego.”
Paulo de Morais, DA CORRUPÇÃO À CRISE Que Fazer?
Os UHF voltaram com “A MINHA GERAÇÃO”, música e letra do melhor, a não perder.
Parabéns a António Manuel Ribeiro e seus companheiros, obrigado pela música e letra que nos trouxeram. Precisamos de gente com imaginação e arte capaz de disparar inteligentemente contra a canalha que nos trama a vida. Tal como vós, estou farto, FARTO, de gente obediente, “de borregos que seguem no carreiro como se nada lhes tocasse.”
 Abraço solidário!
“Estou cansado
Cansado da rotina
Desta mentira que é a vida
Servida respeitosamente
Com ferrete
Obediente
Obediente.”
(…)

domingo, 14 de julho de 2013

Carrascos


Atenta inquietude…
“ Muitos dos actores políticos têm exactamente como incumbência encontrar os mecanismos para canalizar verbas para os grupos económicos de que são assalariados ou consultores.”

Paulo Morais, DA CORRUPÇÃO À CRISE Que fazer?

Mais um roubo, mais um atentado aos trabalhadores, aos pensionistas, reformados e desempregados.
O FEFSS – Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social constitui o aforro, a reserva, resultante dos descontos feitos ao longo de anos pelos trabalhadores. Serve para pagar reformas, subsídios de desemprego e outras prestações sociais se o sistema colapsar.
No último dia em que exerceu funções ministeriais o “Mago Gaspar” assinou um despacho que obriga O FEFSS a adquirir 4,5 milhões da dívida portuguesa. Deste modo, tendo em conta os “investimentos” anteriores, o novo Salazar das finanças de falinhas mansas e imperceptíveis obriga o fundo a comprometer-se com 90% da dívida pública portuguesa, correndo o risco de se perder o dinheiro das reformas e pensões. Mas não é isto um roubo, um atentado aos trabalhadores, uma ofensa, uma atitude de carrasco? E chama a outra, a da assembleia, “carrascos” aos trabalhadores que justamente protestam.
A impunidade de quem nos tem governado, ligada a alguma ignorância e má memória de um povo que tem votado em partidos carrascos, na preguiça de procurar alternativas, trouxe-nos a este estado de total achincalhamento dos trabalhadores.
E se um dia em razão de políticas erradas face à dívida o dinheiro do FEFSS for preciso, quem paga as favas? Onde estará o irritante Gaspar? Não será essa a altura certa para o povo acertar contas com os seus carrascos?
As centrais sindicais têm o dever de denunciar mais este roubo ignóbil, isto é terrorismo de estado e o terrorismo de estado deve ser denunciado e combatido com todas forças.
 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Questões centrais.


Se as Portas se fecham irrevogavelmente ou não, se um palhaço sai ou entra, se quem ganhou foi o Porteiro ou o Coelho? Como entraram e saíram da sala de reuniões, se o governo fica mais forte ou mais fraco. Da ausência de credibilidade, afinal quem é melhor para gerir a austeridade: As Portas irrevogavelmente abertas para o tudo e para o nada; o Coelho amanuense e fiel às florestas alemãs; um Inseguro seguramente ávido de poder seguir as pisadas dos antecessores. Se o milhafre de Belém voa, ou se sobrevoa os despojos dos pós-troica é irrelevante. Relevante, central e absolutamente seguro é não podermos confiar e nem nenhuns destes dependentes do dinheiro da política porque há muito juraram fidelidade aos bancos, ao sistema financeiro e seus confrades. Fielmente assessorados pelos inúmeros e ignaros “Corvos” que diariamente poluem as televisões, gastando horas para nos adormecerem, sem uma novidade, sem uma saída para a crise. Por estes dias, as televisões transformaram-se numa espécie de “ Fungagá da Bicharada”, onde de tantos sons de nada, sai poluição sonora. E das questões centrais, as fundamentais, ninguém quer falar, raros são os que as querem discutir: Pagar ou não pagar a dívida dos bancos e dos banqueiros? Será possível pagar a dívida actual? Quem a paga, com que dinheiro? De que nos serve a Europa? O euro faz-nos falta ou é um empecilho? Parafraseando o que se passou na Islândia: Queremos uma democracia ou um sistema financeiro? Se o povo é soberano por que não o ouvem sobre estas e outras matérias?
Não tenho a ilusão vã de pedir a estes senhores que se demitam, apenas e só conclamo todos os cidadãos, todos os democratas e patriotas deste país, a unirem-se e a lutarem por todas as formas e por todos os meios contra este governo de traidores à pátria.

Se outros conseguiram, nós também conseguiremos, e é na sequência disso que vos sugiro a leitura do livro de Marc-Pierre Dylan : O PAÍS QUE NÃO RESGATOU OS SEUS BANCOS - Como a Islândia está a superar a crise sem ficar refém do sistema financeiro.


No momento em que o mundo assiste a uma das mais graves crises económicas e sociais, um país com pouco mais de 310 000 habitantes mostrou às potências europeias como a soberania popular ainda é a verdadeira força da mudança. Saindo às ruas, os seus cidadãos lutaram pelos seus direitos e por se fazerem ouvir, negando-se a aceitar as decisões governamentais. Criaram toda uma forma de enfrentar a vida e a política.
Ólafur Ragnar Grímmsson, atual presidente da Islândia, afirmou: “ As condições de pagamento da dívida são muito injustas, os islandeses vão ter de carregar com uma dívida que são os bancos que têm o dever de assumir”. E depois convocou um referendo em que os islandeses escolheram por esmagadora maioria o “não” ao pagamento da dívida. Grímsson disse ainda: A Islândia é uma democracia, não um sistema financeiro!”
Por tudo isto, o futuro da Islândia é sem dúvida diferente do dos restantes países da Europa. O povo saiu à rua para reclamar a soberania que lhe tinha sido arrebatada por interesses partidários e empresariais.
Este movimento do povo islandês ficou conhecido como A “Revolução Silenciosa”. Graças a ela, agora são os cidadãos que comandam o seu destino e os políticos articulam organicamente os desejos da maioria e não o contrário.”
 

domingo, 23 de junho de 2013

O sofisma discente.

Foto: Luís Costa

O Mata-Professores. Versão 2013.
Cinco pontos de total discórdia com uma mente refém de espíritos erro cráticos.
Radicalmente instalado no sofá do poder, o ministro Nuno Arrobas, vem revelando cada vez mais a sua faceta de Mata-Professores. Sem corar de vergonha e de falinhas mansas vem acusando os professores de, com a sua luta, tornarem os alunos reféns.

Mas, afinal, o que move D. Crato, desde quando está preocupado com os alunos?!
Por onde andou, em que navio navegava o ministro quando o seu ministério aumentou o número de alunos por turma. Por esta altura, o Sr. Arrobas estava preocupadíssimo com os alunos? É que, se os professores tivessem 30 alunos numa sala em vez de 20 ou 22, mais facilmente poderiam colocar em prática pedagogias diferenciadas, e, sobretudo, mais que tudo, a atenção a dar aos alunos cresceria exponencialmente numa multiplicação, só entendível, só compreensível, por um espírito aritmeticamente iluminado. Não me lembro, que tenha vindo a terreiro, encomendar entrevistas, a acusar o seu ministério de estar refém de interesses economicistas em detrimento das condições de trabalho e da atenção aos alunos em sala de aula. Isto sim mostraria a sua independência, a sua preocupação com o mérito e com o sucesso. Mas, se calhar nessa época, chovia, e as mesmas águas que impediram a nossa economia de crescer levaram na enxurrada as ideias do Crato do plano inclinado que, de tanta inclinação desabou nas mais nefastas práticas de um neoliberalismo sem freio e sem vergonha.
Sabe Sr. Nuno Arrobas, eu que conheço melhor as escolas que o ministro Crato. Desafio-o a provar publicamente o contrário, digo-lhe que nas escolas portuguesas não há professores a mais, o que existe claramente é ministério da educação a menos, ensino a menos, condições de trabalho e apoio aos alunos a nível zero, com economia aos serviço do IV Reich a mais. Mas, colocando a hipótese mentirosa, falaciosa e enganadora de que temos docentes a mais, de que modo seria possível requalificá-los e não despedi-los? Já agora, por favor, ensine os verbos aos senhores do seu governo, diga ao Rosalino e ao Casanova, que requalificar é um verbo transitivo que significa tornar a qualificar; qualificar de novo e não como eles pensam e dizem à boca cheia: despedir e terminar o vínculo laboral. Há dias, ouvi do Sr. Rosalino uma pérola que me provocou náusea, quando ele afirmou em entrevista ao “diário económico”, que não há despedimentos na função pública: “quando terminam a mobilidade especial as pessoas não são despedidas, perdem o vínculo, não há despedimento“. Cito de cor, não escrevo mais senão ainda dou algum murro na secretária e o desvio colateral já vai longo. Estava eu a falar de que modo seria possível requalificar os professores. Convém frisar que entendo que os professores não precisam de requalificação, os professores das nossas escolas têm as qualificações mais do que suficientes para exercer a sua função, e são obrigados a frequentar formação toda a vida. Diga-me qual a outra profissão em que existem mais licenciados, mestres e doutorados por km2? Falar em requalificação para a docência é sinal de ignorância, má-fé ou quiçá, provocação.
Apesar de tudo, e para irmos ao que interessa, imaginemos que por um drástico abaixamento do número de alunos sobravam alguns horários de professores. Que poderia e deveria fazer um ministro preocupado com o mérito, com o sucesso dos alunos, e acima de qualquer suspeita põe os alunos reféns das condições de trabalho e está preocupado em lhes garantir todos os recursos humanos e outros? A ser verdade, o senhor seria um homem de sorte.
 Primeiro - Teria aquilo que muitos sonharam e não conseguiram, baixar de uma vez por todas o número de alunos por turma: 20, 22 no máximo.
Segundo - Ficaria com professores disponíveis para o apoio a todos os alunos que efetivamente o necessitassem.
Terceiro Resolveria uma pequena parte da indisciplina que grassa nas nossas escolas.
Quarto Nalguns casos, depois de devidamente avaliada a situação, seria possível colocar dois professores em aula, podendo diversificar as estratégias e reforçar o apoio no momento de ensino/aprendizagem.
Quinto Atribuiria mais horas aos Diretores de Turma, para que sem perda da sua sanidade mental e saúde física consigam resolver todos os problemas e façam um acompanhamento efetivo dos alunos.
Chegados aqui, aplicadas estas poucas e simples medidas, concluiríamos que há escola a mais para tão poucos professores. Faça as contas e verá que tenho razão. Some todas as horas, minutos e segundos que já nos roubou e na sua consciência poderá constatar que pretender alargar o horário dos professores para as 40 horas é não perceber nada de ensino, muito menos de educação.
Reduzir o professor à condição de operário fabril que cumpre ao limite do seu esforço intelectual e físico uma tarefa angustiante é revelar uma concepção de professor, capaz de se enquadrar numa visão proto industrial da exploração capitalista, nunca uma visão de um professor disponível para o conhecimento e para o trabalho numa escola pública de sucesso.
Por último, senhor Nuno Arrobas, liberte-se das amarras de amanuense do IV Reich e explique aos alunos e aos pais por que razão o senhor é incapaz de aplicar as medidas que acima enunciei.
Diga-lhes quem é que está refém das greves, explique-lhes porque não quis “ceder” antes dos professores, em nome da sua dignidade, em nome dos alunos, em nome da docência, em nome da escola pública, em nome do país, em nome da decência, não terem outra alternativa senão lutar.
O senhor e o seu ministério roubaram-lhes o prazer e a vontade de ensinar, roubam-nos a vida e ainda querem que lhes agradeçamos. Mas estava à espera de quê? - De mais um milagre da Sra. de Fátima.


 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Obrigado professores !

 
Foto Lusa. Hugo Delgado



 
Greve geral de professores.
Adesão de 90%
Segundo as organizações sindicais:
“ (…) a realização dos exames só foi possível com o recurso a ilegalidades e arbitrariedades “ e “compete agora à Inspeção Geral de Educação (IGE) agir em conformidade (…)
          Intervenção de vigilantes não docentes
  • Recurso a docentes da disciplina (Português)
  • Redistribuição de alunos por sala
  • Substituição na hora de elementos do secretariado de exames sem ouvir o Pedagógico
  • Realização de exames em refeitórios
  • Substituição de professores, em violação da lei da greve
  • Pais a vigiar.”
Mas, atenção: A luta continua.
                       Tem de continuar!
 

sábado, 15 de junho de 2013

Dia D


17 de Junho um dia decisivo . Um blogue, CIVIDADE docente:

“A greve dos professores ao exame de Português do 12º ano, convocada para o próximo dia 17 de Junho, é talvez a greve mais importante da sua história recente. Em pouco tempo, os professores mobilizaram-se e organizaram-se com uma intensidade e determinação que poucos pensavam que fosse possível. O aumento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais e o despedimento colectivo que se pretende efectuar de professores do quadro e de professores contratados, foi a gota de água que fez transbordar uma taça já cheia de humilhações e prepotências levadas a cabo pelos governos de Sócrates e pelo governo actual de passo Coelho e Paulo Portas.”
LER mais, in:
CIVIDADE docente

Blogue de professores que pugnam por uma educação de qualidade na escola pública.

 
Lê, participa e divulga !

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O que está em causa.


Santana Castilho, declarações à Antena 1 :
o júri nacional de exames não tem nenhum vínculo hierárquico com os directores das escolas nem com os professores, para fazer isso.
Aquilo que foi feito foi uma 'orientação'. É esse o título de um e-mail que chegou às escolas: uma 'orientação'. Ora isto, em meu entender, não obriga as escolas. Isto denota uma grande cobardia por parte de um ministro que, além de mentiroso, de facto, é cobarde. Incumbe um júri nacional de exames de tomar uma medida que vale o que vale.

Os professores em greve não têm que comparecer na escola.

É isso que está aqui em causa. É isso que se joga! É defender uma escola pública para todos os portugueses! Que é um valor constitucional, é um valor civilizacional, é um instrumento da soberania do país! E impedir que se instaure uma escola privada para os ricos e uma escola limitada para os pobres. É esta a questão! É isto que os portugueses têm que perceber e é por isto que os professores estão em luta!
É isso que está aqui em causa, de facto, em minha análise, E ESPERO BEM QUE OS PROFESSORES PORTUGUESES PERCEBAM A RESPONSABILIDADE QUE TÊM NESTA ALTURA. Foi tarde, mas finalmente, parece que alguma coisa está a acontecer neste país!»